Análise deve ser concluída em até 30 dias antes de ser
entregue ao ministro relator do caso no tribunal, Jhonatan de Jesus
O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) confirmou,
nesta sexta-feira (2), que está inspecionando e analisando a documentação
relacionada a liquidação
do Banco Master. Vital do Rego confirmou a informação ao jornal Folha
de S.Paulo. Após avaliação da unidade técnica, que verificará falhas e/ou
omissões, os documentos serão enviados a Jhonatan de Jesus, ministro relator do
caso. Análise deve ser concluída em até 30 dias.
“O que o Banco Central nos mandou foi uma nota técnica. A
documentação está no banco, que abriu para que nós pudéssemos fazer a inspeção,
porque essa é a nossa competência”, afirmou o presidente ao jornal. Ele também
afirmou que o trabalho continua normalmente apesar do recesso, e que o TCU
conta com plantonistas para esse tipo de situação. “É um processo absolutamente
comum, em que o tribunal fiscaliza o órgão regulador”, disse, segundo o jornal.
Anteriormente, o TCU questionou a liquidação sob a suspeita
de que o processo pode ter sido feito de maneira “precipitada”. O
questionamento do TCU contrasta com as investigações conduzidas pelo próprio
Banco Central e pela Polícia Federal, que embasaram a liquidação em evidências
de um rombo de R$ 12,2 bilhões. As apurações apontam que o Banco Master teria
adquirido carteiras de crédito falsas da empresa Tirreno para simular liquidez
e honrar vencimentos de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), ocultando a
insolvência real da instituição.
A medida do BC atingiu quatro empresas do conglomerado:
Banco Master S.A., Banco Master de Investimentos S.A., Letsbank S.A. e Master
S.A. Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários. A autarquia justificou a
decisão alegando que os problemas eram irreversíveis, a administração violava
normas regulatórias e os credores estavam expostos a riscos severos.
Nos bastidores, a recepção do pedido de explicações foi
tranquila. A avaliação interna do BC é de que o rito legal foi seguido
estritamente, sem queimar etapas. A percepção de lentidão, criticada por parte
do mercado, é defendida pela autarquia como uma cautela necessária para reunir
provas robustas e evitar a anulação das decisões na Justiça, afastando o
“voluntarismo”. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, reiterou publicamente que
a postura da instituição priorizou aspectos legais e infralegais.
JP

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