A Polícia Federal (PF) quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão teve o sigilo retirado nesta sexta-feira, 16.
De acordo com a decisão, a apuração aponta indícios da
prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira,
induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada,
manipulação de mercado e lavagem de capitais.
“Também verifico que, na linha do que consignado pelo
Procurador-Geral da República e pela Polícia Federal, que há elementos
suficientes que apontam para o ‘aproveitamento sistemático de vulnerabilidades
do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, notadamente
mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades
conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais.'”,
argumentou Toffoli.
O ministro afirmou que o procurador-geral da República
acertou ao pedir a remessa do caso ao Supremo, ao destacar que as investigações
conduzidas na 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo são mais amplas do que
aquelas da Operação Compliance Zero
Na decisão, Toffoli também determinou o sequestro e o
bloqueio de bens de 38 envolvidos em valores que podem chegar a R$ 5,77
bilhões. As medidas foram cumpridas no âmbito da segunda fase da Operação
Compliance Zero. Entre os alvos estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e,
seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel.
Como mostrou o Estadão, Zettel é o dono dos
fundos de investimento da Reag Investimentos que compraram parte da
participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná. A
participação valia, à época, R$ 6,6 milhões.
Documentos com a movimentação financeira de um fundo de
investimento chamado Leal mostraram que Zettel foi seu único cotista entre 2021
e 2025. Foi com uso desse e de um outro fundo que o pastor passou a ser sócio
do resort Tayayá. Os fundos foram usados para aportar R$ 20 milhões no
empreendimento. Os familiares de Toffoli foram os principais acionistas do
empreendimento.
Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos José Carlos
e José Eugênio Dias Toffoli, a administração do resort e a Reag não se
manifestaram. O ministro não tem participação direta no Tayayá, mas frequenta o
resort.
Ao Estadão, Zettel, cunhado de Vorcaro, confirmou que foi
cotista do fundo e disse ter deixado o investimento em 2022; e que este foi
liquidado em 2025. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não tem “qualquer
conhecimento a respeito dos negócios dos referidos fundos”. Primo do ministro,
Mario Umberto Degani, controlador das empresas que receberam o aporte, não foi
localizado.
JP

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