Os trabalhadores do Sistema Petrobrás completam, nesta sexta-feira (19) o quinto dia de greve nacional, com paralisações, atrasos na troca de turno e adesão em unidades operacionais de todas as regiões do país. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) informa que a empresa segue sem negociar com os sindicatos os efetivos das equipes de contingência, responsáveis por manter a segurança mínima das unidades durante o movimento.
O impasse se
agravou após o registro de um vazamento de gás na plataforma P-40, na Bacia de
Campos, unidade que estava sob controle de equipes de contingência. Em razão da
gravidade do ocorrido, a plataforma entrou em shutdown (paralisação total da
operação), impactando também outras unidades da região. O vazamento foi sanado.
As operações continuam interrompidas, para que sejam feitas as
intervenções técnicas na infraestrutura da plataforma e, então, restaurar a
integridade operacional.
Para os
sindicatos ligados à FUP, o episódio expõe riscos decorrentes da definição
unilateral das contingências pela empresa, um dos principais pontos de conflito
desde o início da greve. As entidades alertam que há denúncias de jornadas
excessivas, retenção de trabalhadores a bordo, assédio e uso de profissionais
fora de suas funções habituais, o que comprometeria a segurança operacional.
“A
ocorrência transforma um conflito trabalhista em um problema concreto de
segurança, com impactos na produção, no meio ambiente e na integridade dos
trabalhadores”, avalia Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP. A entidade
cobra abertura imediata de negociação para que os efetivos mínimos sejam
definidos com participação dos sindicatos.
A P-40
produziu este ano uma média de 18.328 barris de petróleo por dia e 351 milhões
de m³ de gás natural. No acumulado, 20.537 barris de óleo equivalente (petróleo
e gás natural) por dia.
A federação
reforça que a greve segue com o objetivo de garantir direitos, discutir o fim
dos equacionamentos da Petros e defender uma Petrobrás forte e segura, e afirma
permanecer aberta ao diálogo.
Até o
momento, a paralisação atinge 9 refinarias, 28 plataformas offshore, 16
terminais operacionais, 4 termelétricas, 2 usinas de biodiesel, 10 instalações
terrestres operacionais (onshore), 2 bases administrativas e 3 unidades de SMS,
configurando um movimento de alcance nacional.
"A
gente vive um momento extremamente tenso. Há plataformas operando sem a
composição adequada de equipes, com profissionais exercendo funções críticas
sem a experiência e habitualidade necessária, inclusive em áreas sensíveis como
a de SMS (saúde, meio ambiente e segurança). Isso torna uma situação que já era
difícil ainda mais preocupante”, alerta o diretor de Saúde e Segurança do Sindipetro-NF,
Alexandre Vieira, reforçando que o sindicato está acompanhando de perto a
ocorrência na P-40 e cobrando esclarecimentos da Petrobrás sobre as causas do
vazamento.
Quadro da greve nesta sexta (19), nas bases da FUP
Amazonas
- Terminal Aquaviário de Coari – 100% de adesão dos trabalhadores da operação, da manutenção e do SMS. Unidade sob controle da equipe de contingência;
Ceará
- Refinaria de Lubrificantes e
Derivados do Nordeste (Lubnor) – sem troca de turno;
- Termoceará – sem troca de turno;
- Terminal de Mucuripe –
trabalhadores aderiram à greve;
- Rio Grande do Norte
- Usina Termelétrica do Vale do Açu
(Alto do Rodrigues/RN) – trabalhadores aderiram à greve;
- EDIRN – adesão de 90% dos
trabalhadores da sede administrativa da Petrobrás em Natal;
- SMS – médicos aderiram à greve;
Pernambuco
- Refinaria Abreu e Lima –
trabalhadores aderiram à greve e cortaram a rendição do turno às 07h;
- Terminal de Suape – trabalhadores aderiram à greve e cortaram a rendição do turno às 07h;
Bahia
- Campos de produção terrestre –
adesão dos trabalhadores das bases de Fazenda Bálsamo (Esplanada), de
Santiago (Catu), de Taquipe (São Sebastião do Passé), de Buracica
(Alagoinhas) e de Araçás;
- Usina de Biodisel de Candeias (PBio)
– trabalhadores aderiram à greve;
- Estação de Gás Vandemir Ferreira
(EVF) – trabalhadores aderiram à greve;
- Estação de Transferência Parque São Sebastião – trabalhadores aderiram à greve;
Espírito
Santo
- Plataformas P-58 e P-57 –
trabalhadores desembarcaram, após entregarem a produção às equipes de
contingência;
- SMS – médicos e dentistas aderiram à
greve;
- Unidades de Manutenção das
plataformas (UMGR e UMVT ) – fiscais aderiram à greve;
- Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC) – adesão á greve;
Minas
Gerais
- Refinaria Gabriel Passos (Regap) –
sem troca de turno;
- Termelétrica de Ibirité
(UTE-Ibirité) – sem troca de turno;
- Usina de Biodisel Darcy Ribeiro (PBio/Montes Claros) - controle de rendição pelo Sindicato, com redução de atividades e de carga processada;
Duque de
Caxias (RJ)
- Refinaria Duque de Caxias (Reduc) –
sem troca de turno;
- Termelétrica TermoRio – sem troca de
turno;
- Terminal de Campos Elíseos (Tecam) – sem troca de turno;
Norte
Fluminense (RJ)
- Plataformas – 100% de adesão dos
trabalhadores de 26 unidades da Bacia de Campos aderiram à greve e
solicitaram desembarque: PGP-1, PRA-1, PNA-1, PNA-2, P-09, P-18, P-19,
P-20, P-25, P-26, P-31, P-33, P-35, P-37, P-38, P-40, P-43, P-47, P-48,
P-51, P-52, P-53, P-54, P-55, P-56 e P-62;
- Unidade de Tratamento de Gás de
Cabiúnas (UTGCAB/Macaé) – trabalhadores de turno aderiram à greve e estão
em regime de sobreaviso;
- Parque de Tubos e Imbetiba – adesões parciais de trabalhadores do regime administrativo;
São Paulo
- Refinaria de Paulínia
(Replan/Campinas) – sem troca de turno;
- Transpetro Paulínia – adesão à
greve e regime de Poliduto operando com contingência;
- Estação de Compressão de Gás
Natural de Paulínia (TBG) – sem entrada de grupo de contingência, a
unidade está parada;
- Refinaria de Capuava (Recap/Mauá)
– sem troca de turno;
- Refinaria Henrique Lages
(Revap/São José dos Campos) – sem troca de turno;
- Transpetro São José dos Campos –
adesão à greve;
- Terminal de São Caetano do Sul –
corte na rendição do turno e adesão total do adm;
- Terminal de Barueri – corte na rendição do turno e adesão total do adm;
Paraná
- Refinaria Presidente Getúlio Vargas
(Repar/Araucária) – sem troca de turno;
- Terminal da Transpetro de Paranaguá
(Tepar) – sem troca de turno;
- Nesix – trabalhadores do núcleo de
pesquisa da Petrobrás realizam atrasos na troca de turno e no
administrativo;
- Fábrica de Fertilizantes
Nitrogenados (Fafen-PR) – atrasos nas trocas de turno;
- Estação de Compressão de Gás Natural de Araucária (TBG)- adesão à greve;
Santa Catarina
- Terminal de São Francisco do Sul –
trabalhadores aderiram à greve;
- Terminal de Biguaçu –
trabalhadores aderiram à greve;
- Terminal de Itajaí – trabalhadores
aderiram à greve;
- Terminal de Guaramirim –
trabalhadores aderiram à greve;
Rio
Grande do Sul
- Refinaria Alberto Pasqualini
(Refap/Canoas) – sem troca de turno;
- Terminal do Rio Grande (Terig) –
trabalhadores aderiram à greve;
- Terminal Niterói (Tenit) –
trabalhadores aderiram à greve;
- Terminal de Osório (Tedut) –
trabalhadores aderiram à greve.

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