Mulher, que não foi localizada
pela polícia, usou ovos cozidos para ferir a criança
Rio – Uma menina de 9 anos teve
as mãos queimadas pela própria mãe, na semana passada, em São Gonçalo, na
Região Metropolitana. O ataque, com ovos cozidos, teria ocorrido depois de a
criança pegar batatas para comer e corante de bolo para brincar.
"A criança passa a infância
toda apanhando. E quando vai brincar, não pode. Tem a mão queimada pela própria
mãe. Ela não estava fazendo nada errado, só queria comer e brincar",
lamenta o pai, em entrevista a O DIA.
Quando fala em "infância
toda apanhando", o homem acusa a mãe de ter um histórico de
violência contra os filhos - além da menina, há um irmão de 11 e
uma irmã de 13 anos: "Ela sempre maltratou. Bate, esconde comida. Eu
mandava biscoito, ela escondia. Rasgava o dinheiro que eu enviava. O instinto
dela é ruim".
Sobre a mais recente agressão, o
homem - que viveu com a mãe das crianças por oito anos e está separado dela há
seis - recorda que viu a filha com as mãos intactas pela última vez em 16 de
agosto. Quatro dias depois, os dois mais velhos foram à residência do pai
buscar merendeiras que ele havia comprado. Questionadas sobre a caçula, as
crianças disseram que ela havia ficado com a mãe, mas não mencionaram as
queimaduras.
No domingo passado (24), ele saiu
com os três e notou que as mãos da mais nova estavam queimadas. Ao perguntar
sobre os ferimentos, ouviu que ocorreram enquanto a mãe fritava batatas, mas
não ficou convencido: "Até quem não é perito sabe que aquilo não é
queimadura de batata frita, porque se uma panela de óleo vira, ia queimar mão,
braço, peito... E não só a palma da mão".
A garota disse que
foi levada pela mãe ao médico, mas quando a filha do meio chegou com talco
de pé, pomada e pasta de dente para curativos a mando da genitora, o pai se viu
ainda mais desconfiado: "Fiquei indignado, porque era minha filha mais
velha cuidando da mais nova".
Em seguida, o homem voltou a
questionar os filhos sobre o que havia acontecido de fato, mas ouviu novamente
a versão do incidente. Foi então que questionou uma vizinha da mulher:
"Ela disse que a mãe colocou três ovos para ferver, botou na mão da minha
filha e apertou. Botava um, e quando esfriava, botava outro".
Guarda das crianças
Depois do episódio de violência,
ele afirma que vai tentar a guarda definitiva dos filhos: "A mãe tem que
ficar afastada como medida protetiva. Os três estão comigo. Eu já tinha tentado
[a guarda definitiva] em outras oportunidades. Mas depois desse fato, acho que
tenho mais chances de o juiz ouvir minha versão".
Procurada, a Prefeitura de São
Gonçalo divulgou que o caso está sob acompanhamento do Conselho Tutelar da área
de abrangência.
Já a direção do Hospital Estadual
Alberto Torres (Heat), para onde a criança foi encaminhada, informou que ela
passou por cirurgia e se encontra estável, sendo monitorada na enfermaria
pediátrica.
O pai da menina a acompanha e
está na torcida pela recuperação integral: “Em princípio, o médico acredita que
vai dar para recuperar as mãos dela".
Segundo a Polícia Civil, a
Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo investiga o caso e já
intimou a acusada e outras testemunhas para depoimento. Não há informações
sobre a localização da mulher.
O Dia

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