O BC vai apurar se as seis empresas têm relação com o ataque que desviou recursos de contas que bancos mantêm como reserva. Marcello Casal JrAgência Brasil
Medida preventiva, válida por 60
dias, é contra a Voluti Gestão Financeira, a Brasil Cash e a S3 Bank, com o
objetivo de proteger a integridade do sistema
O Banco Central (BC) suspendeu
no último sábado (5) cautelarmente do Pix mais três instituições
financeiras suspeitas de ter recebido recursos desviados no ataque cibernético
contra a provedora de serviços tecnológicos C&M Software. A medida
preventiva é contra a Voluti Gestão Financeira, a Brasil Cash e a S3 Bank. Já
haviam sido desconectadas do sistema a Transfeera, a Soffy e a Nuoro Pay. O BC
vai apurar se as seis empresas têm relação com o ataque que desviou recursos de
contas que os bancos mantêm como reserva na autoridade monetária. A TV Brasil
confirmou que pelo menos R$ 530 milhões foram desviados.
Com duração de 60 dias, a
suspensão é prevista pelo Artigo 95-A da Resolução 30 do Banco Central, de
outubro de 2020, que regulamentou o Pix. Pela resolução, o BC pode “suspender
cautelarmente, a qualquer tempo, a participação no Pix do participante cuja
conduta esteja colocando em risco o regular funcionamento do arranjo de
pagamentos”.
Posicionamento
Sociedade de capital fechado
autorizada pelo Banco Central, a Transfeera confirmou que a funcionalidade do
Pix foi suspensa. No entanto, a companhia, que atua na gestão financeira de
empresas, ressaltou que os demais serviços oferecidos continuam a funcionar
normalmente. “Nossa instituição, tampouco nossos clientes, foram afetados pelo
incidente noticiado no início da semana e estamos colaborando com as
autoridades para liberação da funcionalidade de pagamento instantâneo”,
destacou a companhia em nota.
A Soffy e a Nuoro Pay são
fintechs (empresas financeiras digitais) que não são autorizadas pelo BC a
fazer parte do Pix, mas participam do sistema instantâneo de transferências em
parcerias com outras instituições financeiras. Nenhuma das duas empresas se manifestou
até a publicação desta reportagem. Voluti Gestão Financeira, Brasil Cash e S3
Bank foram contactadas pela TV Brasil, mas também não se manifestaram sobre a
suspensão.
Justificativa
Segundo o Banco Central, a
suspensão das instituições do Pix tem como objetivo proteger a integridade do
sistema de pagamentos e garantir a segurança do arranjo, até que as
investigações sobre o desvio de recursos do sistema financeiro sejam
concluídas.
Entenda
Na noite de terça-feira (1º), um
ataque cibernético nos sistemas da empresa C&M Software, que presta
serviços tecnológicos a instituições financeiras, resultou no desvio de
recursos de contas reservas que os bancos mantêm no BC para cumprirem
exigências legais. O dinheiro foi transferido por Pix e convertido em criptomoedas.
Embora não opere transações financeiras, a C&M conecta várias instituições
financeiras ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), operado pelo Banco
Central. Na quinta-feira (3), o BC autorizou a empresa alvo do ataque a retomar
as operações Pix.
A Polícia Federal, a Polícia
Civil de São Paulo e o Banco Central investigam o caso. Em comunicado na página
da companhia na internet, a C&M informou que nenhum dado de cliente foi
vazado. Nesta sexta-feira (4), a Polícia Civil de São Paulo prendeu um
funcionário da C&M que recebeu R$ 15 mil para dar aos criminosos acesso aos
sistemas da empresa. O suspeito confessou ter fornecido a senha de acesso R$ 5
mil e ter recebido mais R$ 10 mil para criar um sistema de acesso aos hackers.
Com informações da Agência Brasil

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