O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, afirmou nesta terça-feira que a Casa Branca reconhecerá e apoiará o futuro governo sírio, desde que seja eleito de forma transparente e atue em conformidade com as normas internacionais.
“Estamos dispostos a oferecer
todo o apoio necessário às diversas comunidades e setores da população da
Síria”, iniciou o secretário, acrescentando que a condição inegociável para
isso, entretanto, é que se trate de “uma governança credível, inclusiva e não
sectária, que cumpra com as normas internacionais”.
“O povo sírio decidirá o futuro
da Síria. Todos os países devem se comprometer a apoiar um processo inclusivo e
transparente, e se abster de toda interferência externa”, completou.
Nesse sentido, Blinken detalhou
os princípios básicos que as futuras autoridades de Damasco deverão seguir, com
um papel crucial no desenvolvimento do país e da região no futuro próximo. Por
exemplo, mencionou que as novas autoridades deverão respeitar e fazer respeitar
os direitos das minorias, facilitar o fluxo de ajuda humanitária no território,
impedir que o país se torne uma base para o terrorismo e uma ameaça tanto para
o povo sírio quanto para os outros países, além de destruir de forma segura as
armas químicas ou biológicas que ainda possam estar no território.
Caso contrário, e se resultar
apenas na “substituição de um tirano por outro”, alertou Blinken, “uma
oportunidade histórica será perdida” para a Síria e para a região.
Os Estados Unidos comemoraram no
domingo a queda do regime de Bashar al-Assad, considerando-a não apenas uma
vitória para o povo sírio, mas também uma derrota significativa para a Rússia e
o Irã, seus principais aliados nos últimos anos.
No entanto, a transição política
liderada pelo grupo islamista Hayat Tahrir al-Sham (HTS) tem gerado grandes
dúvidas na Casa Branca, que teme que a luta pelo poder entre os rebeldes
jihadistas possa fragmentar o país ou gerar outro vácuo que favoreça o ressurgimento
do Estado Islâmico.
De fato, na véspera, o porta-voz
do Departamento de Estado, Matthew Miller, já havia antecipado que a Casa
Branca buscaria manter conversas com todos os grupos-chave dentro do país, seja
de forma direta ou indireta, com o objetivo de contribuir para um processo
democrático e reduzir os riscos de um cenário contrário.
Por enquanto, o Conselho de
Ministros sírio decidiu entregar o comando do país a Mohamed Al Bashir,
nomeando-o primeiro-ministro interino da transição, cargo que ocupará até 1º de
março.
Embora não tenham sido divulgados
mais detalhes sobre o anúncio, Washington permanece otimista e “observando” o
desenrolar dos acontecimentos.
No entanto, Blinken fez um apelo
à comunidade internacional para que não seja indiferente e “desempenhe um
papel” ativo e relevante no assunto, demonstrando seu “compromisso com os
direitos de todos os sírios, o Estado de direito e a proteção de todas as
religiões e minorias étnicas”.
Gazeta Brasil
(Com informações de EFE, Europa
Press e Reuters)

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