Ministro de Pecuária, Agricultura
e Pesca, Fernando Mattos, disse que o decreto abrange 1.200.000 hectares nos
departamentos de Rocha e Treinta y Tres, no leste do país
O governo do Uruguai decretou
emergência agropecuária por excesso hídrico em dois departamentos localizados
na fronteira com o Brasil, enquanto mais de 2.800 pessoas permaneciam
deslocadas devido às cheias causadas pelas tempestades dos últimos dois meses,
informaram as autoridades nesta quarta-feira (22). O ministro de Pecuária,
Agricultura e Pesca, Fernando Mattos, disse que o decreto abrange 1.200.000
hectares nos departamentos de Rocha e Treinta y Tres, no leste do
país. “Isto se deve ao volume importante de precipitações que tivemos nas
últimas semanas”, assinalou o ministro a jornalistas. As inundações
ocasionaram “uma quebra de produtividade” nos cultivos de arroz e soja,
comprometeram os pastos e obrigaram a transferir o gado para áreas mais altas,
acrescentou.
A emergência agropecuária, que
vai vigorar por 120 dias, permitirá o uso de recursos nacionais para ajudar os
produtores. O Sistema Nacional de Emergência (Sinae) reportou nesta
quarta-feira 2.861 deslocados em todo o território nacional, dos quais 412
foram levados para abrigos e 2.449 se refugiaram na casa de parentes ou
amigos. “A situação geral se mantém estável, o nível dos cursos de água
continua caindo e diminuiu levemente o número de pessoas deslocadas”, ressaltou
o Sinae. O governo uruguaio declarou emergência agropecuária por excesso
de água poucos meses depois do encerramento de outra, mas por déficit hídrico.
Mattos destacou que as áreas
atualmente inundadas há cinco meses estavam afetadas pela seca, e advertiu que
o Uruguai pode sofrer a devastação que atualmente atinge o outro lado da fronteira,
o estado brasileiro do Rio Grande do Sul, após chuvas persistentes. “Está
claro que não estamos preparados para isso”, disse o ministro uruguaio, que
acrescentou: “A causa da mudança climática é a ação humana, e a ação humana
especialmente nos países desenvolvidos, que se comprometeram, a partir do
Acordo de Paris, a destinar recursos aos países em desenvolvimento, que estão
cada vez mais vulneráveis à variabilidade climática.”
Mattos disse que espera a redução
do nível das águas para fazer uma avaliação final de danos. Entre 2020 e
2023, o Uruguai sofreu uma seca intensa, que levou à declaração de quatro
emergências agropecuárias, a última vigente para todo o território nacional de
outubro de 2022 a dezembro de 2023. Segundo estimativas oficiais, os danos
e prejuízos diretos ao setor agropecuário pelo déficit hídrico chegaram a 1,9
bilhão de dólares (9,8 bilhões de reais).
*Com informações da AFP

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