Por videoconferência a partir do
presídio da Papuda em Brasília, Brazão disse que tinha um “ótimo
relacionamento” com Marielle na Câmara Municipal do Rio e foi chamado de
“assassino” por deputados do PSOL
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL),
indicou nesta terça-feira (26) que não pretende acelerar a tramitação da
análise pela Casa da ordem de prisão do deputado federal Chiquinho Brazão (sem
partido-RJ). Lira afirmou que o caso é “sensível” e “complexo”. A votação pode
ficar para a segunda semana de abril, após ter sido adiada na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ) por um pedido de vistas de deputados do Novo, PP e
Republicanos. Brazão é suspeito de ser um dos mandantes do assassinato da
vereadora Marielle
Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. “É um caso difícil,
sensível para todos nós. Todos tratam esse assunto com o máximo cuidado, pela
repercussão que sempre teve. É complexo, é grande”, disse Lira, durante
pronunciamento na Câmara. Lira afirmou que o adiamento da análise da prisão não
causará nenhum prejuízo para o processo contra Brazão porque o deputado
continuará preso até que a Câmara tome uma decisão em plenário.
A presidente da CCJ, Caroline de
Toni (PL-SC), afirmou hoje que Lira poderia levar o caso diretamente para o
plenário caso a comissão demorasse para analisar a prisão. O presidente da Casa
declarou, contudo, que a análise ocorrerá em “rito regimental” e “no processo
normal”, que prevê votação primeiro no colegiado. Com o pedido de vistas, a CCJ
fica impedida de analisar o caso antes das próximas duas sessões do plenário da
Casa. Esse prazo passa a contar a partir desta quarta-feira (27). A
expectativa, contudo, é que não haja sessão no plenário na quinta-feira, 28,
nem na semana que vem. Os deputados devem tirar alguns dias de folga para se
dedicar à filiação de vereadores na etapa final da janela partidária. Com isso,
a prisão de Brazão pode ser analisada somente na segunda semana de abril.
“Houve um pedido de vistas, que compreende duas sessões. Portanto, não há
nenhum prejuízo para o processo, investigação ou qualquer tipo de coisa, porque
todo o tempo que transcorrer é em desfavor do réu, do parlamentar, que
continuará preso até que o plenário da Câmara se posicione em votação aberta”,
declarou Lira.
Ao pedir vistas hoje na CCJ,
Gilson Marques disse que não se deve ter pressa na análise do caso. “Precisamos
ter pressa contra os vagabundos e corruptos que estão soltos. O deputado está
preso, qual é a pressa?”, afirmou. Ele foi acompanhado no pedido de adiamento
por outros deputados, como Fausto Pinato (PP-SP), Roberto Duarte
(Republicanos-AC). A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) rebateu. “São seis anos
esperando por justiça e vocês passando pano para miliciano”, declarou a
psolista. “As milícias só existem porque têm tentáculos no Legislativo, no
Executivo e no Judiciário”, emendou a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS).
As duas parlamentares são do mesmo partido do qual fazia parte Marielle
Chiquinho Brazão foi detido
preventivamente pela Polícia Federal por determinação do ministro Alexandre de
Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Câmara tem a prerrogativa de decidir se
mantém ou não a prisão. A defesa de Brazão se manifestou durante a reunião da
CCJ e criticou a prisão preventiva. “É uma prisão preventiva decretada ao
arrepio da Constituição Federal”, disse o advogado do parlamentar, Cleber
Lopes.
Por videoconferência a partir do
presídio da Papuda em Brasília, Brazão disse que tinha um “ótimo
relacionamento” com Marielle na Câmara Municipal da capital fluminense. Ele foi
chamado de assassino por deputados do PSOL após concluir o pronunciamento
durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O relator da
prisão, Darci de Matos (PSD-SC), apresentou nesta terça-feira parecer favorável
à manutenção da ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho que não terá
tantas dificuldades no plenário para buscar os 257 votos”, disse o deputado, em
referência ao número mínimo de votos para a aprovação de seu relatório, que
precisa do apoio da maioria absoluta dos deputados.
*Com informações do Estadão
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