Texto é resultado de acordo entre relator e governo federal sobre carga horária para cursos técnicos; Proposta segue para o Senado
A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira, 20, o projeto que altera a reforma do ensino médio, sancionada em 2017 durante o governo de Michel Temer. O texto com as mudanças propostas pelo Executivo havia sido enviado em outubro de 2023 e o deputado Mendonça Filho (União-PE), relator, apresentou algumas alterações às propostas. A votação só foi possível após um acordo em parte das mudanças propostas pelo Executivo foram desconsideradas. A proposta aprovada estabelece uma carga horária de 2,4 mil horas para a formação geral básica (somados os três anos) e 1.800 para a formação técnica, de forma escalonada. A votação em Plenário foi acompanhada pelo ministro da Educação, Camilo Santana. O relator Mendonça Filho destacou que as proposições garantidas no texto contemplaram as preocupações do governo de elevar a carga horária para a formação geral básica. “A grande virtude dessa proposta é que ela foi fruto de uma ampla negociação”.
A reforma anterior estabelecia
1,8 mil horas para a formação básica, com 1,2 mil para os itinerários
formativos, que são as disciplinas que o aluno escolhe para se aprofundar a
partir do que lhe é ofertado. Na proposta enviada pelo governo a formação básica
mínima de 2,4 mil horas. O substitutivo aprovado na noite desta quarta-feira
mantém como opcional a oferta da língua espanhola. Também mantém a
possibilidade de contratar profissionais com notório saber, sem formação em
licenciatura, para disciplinas do itinerário técnico profissionalizante. Os
itinerários formativos terão carga mínima de 600 horas e serão compostos pelo
aprofundamento das áreas de conhecimento, consideradas as seguintes ênfases:
linguagens e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências da
natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas; e formação
técnica e profissional. O líder do governo, deputado José Guimarães
(PT-CE), agradeceu o relator pela construção de um consenso com o governo e com
todos os partidos da Câmara. “É assim que se constrói políticas públicas e um
resultado pautado no diálogo”, disse.
Alguns parlamentares do PT e do PSOL criticaram pontos
do projeto aprovado, como a possibilidade da atuação de profissionais com
notório saber na formação profissional e técnica e a carga horária menor para o
ensino técnico. O deputado Tarcísio Motta (PSOL-RJ) disse que o estabelecimento
de 1,8 mil horas para o ensino técnico vai resultar na precarização dessa
modalidade. “Teremos dois ensinos médios, um da formação geral que poderá ser
integral, e outro da formação técnica, que será precarizada, porque essa será
para pobre”, criticou. A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) também criticou a
regra que diz que a oferta de formação técnica e profissional poderá ser feita
mediante cooperação técnica entre as secretarias de educação e as instituições
credenciadas, preferencialmente públicas. “Na prática, isso significa que eles
vão preferir fazer com a rede privada. E a gente sabe quais são os setores que
fazem lobby desde a aprovação do novo ensino médio”, disse.
Por da Redação/ JP
*Com informações de Agência
Brasil

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