Peixe é ultrapassado por Bahia e
Vasco, que também brigavam contra a queda, e vai para a segunda divisão no
primeiro Brasileirão após a morte do Rei Pelé
A maior vergonha da história.
Pode ser definido desta forma o inédito rebaixamento do Santos Futebol
Clube para a Série B do Campeonato
Brasileiro. O Peixe perdeu para o Fortaleza por
2 a 1, nesta quarta-feira, 6, na Vila Belmiro,
em partida válida pela 38ª rodada da competição, e não estará na elite do
futebol nacional em 2024 pela primeira vez. O rebaixamento é o ato final da
gestão Andres Rueda, que administrou o Santos no último triênio, em um período
marcado por diversos vexames, eliminações vergonhosas, o desmanche do elenco
profissional e (muitos) protestos da torcida. Para piorar, o descenso ocorre na
primeira edição do Brasileirão após a morte de Edson Arantes do Nascimento, o
eterno Rei Pelé, que marcou a história do esporte com as cores do alvinegro. A
competição, não por acaso, foi batizada de “Brasileirão Rei”. Ainda assim, o
clube da Vila não foi capaz de honrar o legado do maior atleta da história. O
Santos terminou o Brasileirão com 43 pontos, atrás do Bahia, com 44 pontos, e
do Vasco, que somou 45 pontos. O Cruz Maltino e o Tricolor de Aço também
brigavam pelo rebaixamento, mas venceram Red Bull Bragantino e Atlético-MG,
respectivamente.
O rebaixamento do Santos ocorre
no último jogo da gestão Andres Rueda – no sábado, 9, os sócios do clube vão
eleger o novo presidente do clube. Nos dois anos anteriores, o Peixe brigou
para cair no Campeonato Paulista, quando precisou vencer o São Bento, em 2021,
e o Água Santa, em 2022, na última rodada das duas edições do estadual, para
evitar uma mácula na história do clube fundado em 14 de abril de 1912. No
Brasileirão, o Peixe também lutou contra o inédito descenso nos dois últimos
anos, mas chegou à última rodada da competição nacional livre do risco de
queda. Desta vez, a equipe atualmente comandada por Marcelo Fernandes, o quarto
técnico a dirigir o clube na temporada (antes dele, passaram pelo Santos Odair
Hellmann, Paulo Turra e Diego Aguirre), desperdiçou diversas oportunidades para
se livrar antecipadamente e chegou à decisão na Vila com a corda do pescoço,
mas novamente dependendo apenas de si. O Santos abriu a derradeira rodada com
43 pontos, dois acima do Bahia, que abria o Z-4 com 41. Na antepenúltima
rodada, o Peixe recebeu o Fluminense na Vila Belmiro tendo que vencer para
oficialmente se livrar do rebaixamento, mas perdeu por 3 a 0. Na 37ª e
penúltima rodada, o tricolor baiano foi derrotado pelo lanterna América-MG,
enquanto o Vasco perdeu para o Grêmio, no Sul do país. Bastava ao Peixe vencer
seu confronto com o Athletico-PR, fora de casa, para manter a escrita de nunca
ter sido rebaixado, mas houve nova derrota por 3 a 0.
Nesta quarta-feira, 6, novamente
na Vila Belmiro, o Peixe precisava vencer para escapar sem depender de seus
rivais. Ainda assim, o time paulista poderia permanecer na Série A mesmo em
caso de derrota. Para isso, o Bahia não podia vencer o Atlético-MG na Arena
Fonte Nova. Na baixada santista, o jogo terminou 2 a 1 para o Fortaleza com
requintes de crueldade: o atacante Marinho, que saiu da Vila Belmiro pela porta
dos fundos, abriu o placar. O Peixe até empatou com Messias, de cabeça, mas
sofreu o gol que selou a queda no final do segundo tempo, em chute por
cobertura da região do meio-campo feito pelo atacante Lucero. O Bahia de
Rogério Ceni, por sua vez, aplicou uma goleada de 4 a 1 em cima do Atlético-MG,
que terminou na terceira colocação com a derrota. Em São Januário, o Vasco
venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 1 e se livrou depois de um primeiro turno
em que somou apenas seis pontos nas 10 primeiras rodadas. Ainda assim, o
Gigante da Colina se livrou, em um trabalho de recuperação irretocável
conduzido pelo técnico Ramón Diaz.
O rebaixamento sacramentado nesta
quarta-feira é o último ato de uma gestão que prometeu sanear as contas do
clube e investir fortemente no futebol no ano de 2023. Deu tudo errado. Depois
de três eliminações na fase de grupos no Paulistão, uma inédita eliminação para
um clube venezuelano, o Deportivo Táchira, na Copa Sul-Americana, um 7 a 1
sofrido para o Internacional na 28ª rodada do Brasileirão deste ano, o Santos é
rebaixado dentro de seu estádio e amarga uma queda acachapante no “Brasileirão
Rei”. Nada mais simbólico. Rei Pelé não merecia isso.
Por André Siqueira

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