Líderes estaduais pressionam
parlamentares para rever trechos considerados prejudiciais aos Estados;
presidente da Câmara quer avançar com proposta antes do início do recesso
A Câmara dos
Deputados iniciou nesta segunda-feira, 3, a semana de esforço
concentrado para aprovação de pautas econômicas, entre elas, a reforma tributária.
De acordo com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL),
a aprovação do texto, sob relatoria do deputado federal Aguinaldo
Ribeiro (PP-PB), é a prioridade – a ideia de Lira é aprovar ao menos o
primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) antes do início do
recesso parlamentar, marcado para 18 de julho. “É chegada a hora de darmos um
salto e aprovarmos uma nova legislação tributária que o Brasil merece. Daremos
celeridade na votação dessas matérias fundamentais para o desenvolvimento
econômico e social do país”, disse Lira. A expectativa é que também sejam
votado o projeto o projeto do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,
o Carf; discussão do
projeto que institui o Programa Escola em Tempo Integral; e o texto do arcabouço fiscal,
que voltou do Senado com alterações. No entanto, a resistência de alguns
governadores quanto ao texto de Aguinaldo Ribeiro pode colocar em risco o
cronograma do político alagoano. Isso porque os líderes estaduais pressionam
parlamentares para rever trechos considerados prejudiciais aos Estados, como a
criação de um comitê formado por Estados e municípios para gerirem, de forma
conjunta, o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), imposto único
que substituirá o ICMS e o ISS.
Para resolver o impasse, Arthur
Lira convocou uma reunião com os governadores para conversar sobre a reforma
tributária. A expectativa é que o encontro aconteça na terça-feira, 4, na
residência oficial da Câmara e conte com a presença de ao menos oito chefes dos
Executivos estaduais. São eles: Eduardo Leite (PSDB-RS), Jorginho Melo (PL-SC),
Ratinho Junior (PSD-PR), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP); Cláudio Castro
(PL-RJ); Romeu Zema (Novo-MG); Renato Casagrande (PSB-ES) e Eduardo Riedel
(PSDB-RS). Deputados federais e senadores também devem marcar presença no encontro.
Juntos, os oito Estados reúnem 264 deputados, número suficiente para
influenciar os rumos da votação – por se tratar de uma PEC, são necessários ao
menos 308 votos em dois turnos de votação. Para os governadores, o
objetivo é “apresentar soluções ao Congresso” para trechos problemáticos da
matéria. “Apoiamos a reforma para que ela simplifique a arrecadação e ajude a
aumentar a produtividade no país. Naturalmente, há pontos no texto que precisam
ser ajustados, principalmente no que diz respeito à governança do novo sistema
e à distribuição dos recursos. Mas entendemos que podemos avançar”,
afirmou Eduardo Leite (PSDB-RS), em mensagem nas redes
sociais.
Como
a Jovem Pan antecipou, o governador de São Paulo embarca para
Brasília sem previsão de retorno. Segundo fontes do Palácio dos Bandeiras, o
chefe do Executivo paulista pretende permanecer na capital federal “o quanto
for necessário” para articular mudanças na reforma tributária. O chefe do
Palácio dos Bandeirantes também propõe mudanças ao texto. Em relação ao Fundo
de Desenvolvimento Regional (FDR), o problema é que a proposta original prevê que
a União aporte cerca de R$ 40 bilhões, mas São Paulo só teria acesso a R$ 1
bilhão. Segundo o governador, o Estado também precisaria desse dinheiro, pois
tem o segundo maior número de beneficiários do Bolsa Família. Ele defende que o percentual de beneficiários seja usado
como um dos critérios para a distribuição dos recursos. Nesse caso,
proporcionalmente, São Paulo teria R$ 6 bilhões. Tarcísio deve participar do
encontro do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) com lideranças do
Congresso Nacional e o presidente da Câmara. O prefeito de São Paulo, Ricardo
Nunes (MDB), também deve ir à capital federal para participar das discussões. A
Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) tem reunião prevista com representantes dos
municípios sobre as alterações nos impostos.
Por Jovem Pan

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