Presidente teve segundo contato
em três dias com grupo que pede sua permanência; no entanto, permaneceu a maior
parte do tempo em silêncio e disse apenas ‘boa noite’
Por volta das 18h deste domingo,
11, o presidente Jair
Bolsonaro (PL) se dirigiu ao espelho d’água do Palácio da Alvorada e
teve seu segundo contato com apoiadores em menos de dois dias. Na última
sexta-feira, 9, o chefe do Executivo rompeu
greve de silêncio que perdurava desde 1º de novembro, dois dias após a
vitória de Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) nas eleições pela margem mais apertada da história
(50,9% contra 49,1% dos votos válidos). De mãos dadas com a filha Laura e
acompanhado da guarda presencial, Bolsonaro passou cerca de 20 minutos em
silêncio, olhando para um numeroso grupo pessoas vestindo verde-amarelo (não
houve cálculo oficial sobre a quantidade) e ouvindo súplicas. “Chame as Forças
Armadas, presidente”, gritou um dos apoiadores, aplaudido pelos demais. “Não
deixe um bandido assumir”, bradou outro. Em determinado momento, surgiu um
forte coro de “fica, Bolsonaro”. Em seguida, o presidente rezou o Pai-Nosso com
a multidão, mas saiu logo depois, dando apenas um “boa noite a todos”.
Havia a expectativa de que o
atual mandatário fizesse novo pronunciamento após dizer, na sexta, que “nem
tudo está perdido”. Ao dar fim à greve de silêncio, Bolsonaro justificou suas
ações e pediu uma trégua àqueles que o criticam. “Muitas vezes, vocês têm
informações que não procedem. Pelo cansaço, pela angústia, pelo momento, passam
a criticar. Tenho certeza, entre as minhas funções garantidas pela
Constituição, é ser o chefe supremo das Forças Armadas. As Forças Armadas são
essenciais em qualquer país. Sempre disse, ao longo destes quatro anos, que as
Forças Armadas são o último obstáculo para o socialismo”, declarou. “Nada está
perdido. Ponto final somente com a morte. Nós nunca saímos das quatro linhas da
Constituição e acredito que a vitória será dessa maneira”, acrescentou.
A agitação dos apoiadores do
atual mandatário é um termômetro do clima efervescente de Brasília na véspera
da diplomação de Lula. A cerimônia acontecerá nesta segunda-feira, 12, às 16h,
com discursos do presidente eleito e de Alexandre de Moraes,
presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pelas redes sociais —
sobretudo o Twitter e o WhatsApp —, manifestantes que não concordam com o
processo eleitoral estão convocando um ato em frente à sede da Justiça
Eleitoral. Haverá segurança reforçada no local.
Por Jovem Pan

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