
População de Cuba ocupou as ruas em dezenas de cidade para
protestar contra o governo. ALEXANDRE MENEGHINI/REUTERS
Organização
condenou "a repressão estatal e o uso da força" durante os protestos
populares do dia 11 de julho
A Organização dos Estados Americanos (OEA) se reúne nesta quarta-feira (28) para discutir a situação em Cuba, sacudida por manifestações históricas, enquanto Havana busca evitar uma condenação internacional em matéria de direitos humanos promovida pelos Estados Unidos.
Milhares de
cubanos protestaram este mês em
mais de 40 cidades do país reclamando que têm fome e pedindo o fim
do que chamaram de ditadura, em meio à pior crise econômica na ilha em décadas
e ao forte aumento do número de infectados e mortos pela covid-19. As passeatas
deixaram um morto, dezenas de feridos e centenas de detidos.
O Conselho
Permanente da OEA, órgão executivo da organização, integrado por seus 34
membros ativos, realizará a sessão virtual extraordinária às 11h (horário de
Brasília). A ordem do dia prevê apresentações da presidente da Comissão
Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Antonia Urrejola, assim como do
relator da CIDH para Cuba, Edgar Stuardo Ralón, e do relator especial da CIDH
para a Liberdade de Expressão, Pedro Vaca.
A CIDH, órgão
autônomo da OEA, condenou em comunicado em 15 de julho "a repressão
estatal e o uso da força" durante os protestos em Cuba, os quais
considerou "pacíficos".
O encontro foi
convocado pela presidência do Conselho Permanente, ocupada atualmente pelo
Uruguai. Seu embaixador, Washington Abdala, sugeriu na semana passada a
realização de uma sessão extraordinária para analisar os "últimos
acontecimentos registrados em Cuba" que, segundo disse, eram motivo de
"preocupação" para ele e outros representantes na OEA.
'Plano
macabro contra Cuba'
Cuba, que não
participa da OEA desde 1962, acusa os Estados Unidos de liderarem uma campanha
contra a ilha no órgão regional, que considera trabalhar a serviço de
Washington. "O próximo, vergonhoso e anunciado passo do plano macabro
contra Cuba é a imposição do Conselho Permanente da OEA", tuitou hoje o
presidente Miguel Díaz-Canel.
O líder cubano
também questionou as manifestações recentes contra o seu governo em frente a
embaixadas de Cuba, depois que, ontem à noite, a missão diplomática cubana em
Paris sofreu danos menores causados por artefatos incendiários.
A promotoria de
Paris informou que abriu uma investigação sobre o atentado, cuja autoria não
foi reivindicada. A França condenou o ocorrido e ordenou um reforço na
segurança da missão diplomática, segundo um porta-voz oficial.
"Os
'manifestantes pacíficos' contra a Revolução Cubana chegaram a Paris com o
incentivo das campanhas contra a ilha geradas em Washington? Volta o terrorismo
contra as embaixadas cubanas?", questionou Díaz-Canel no Twitter.
Condenação
de seis países
A OEA discutirá
sobre Cuba depois que Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala e Honduras se
somaram na segunda-feira (26) a uma declaração impulsionada pelos Estados Unidos "em apoio ao povo
cubano", que foi apoiada no total por cerca de 20 países em todo o
mundo.
No texto, os
ministros das Relações Exteriores "condenam as prisões e as detenções
maciças de manifestantes em Cuba e exortam o governo a respeitar direitos e
liberdades universais do povo cubano, inclusive o livre fluxo de informação a
todos os cubanos".
O chanceler de
Cuba, Bruno Rodríguez, respondeu em um tuíte que Cuba conta com o apoio de 184
nações que pedem o fim do embargo comercial americano imposto há 59 anos, e
pediu que o governo de Joe Biden apresente provas das "acusações
caluniosas" de que houve violações dos direitos humanos na ilha.
Washington
reprova Havana pela repressão policial e prisão de manifestantes após
julgamentos acelerados. O governo cubano informou que 59 pessoas foram
processadas por participarem dos protestos, mas não informou o número de
detidos.
Fontes da OEA
informaram à AFP que houve contatos entre embaixadores a respeito de uma
declaração sobre Cuba, mas nada foi apresentado oficialmente.
A OEA excluiu
Cuba de sua participação no sistema interamericano em 1962, por sua adesão ao
bloco comunista soviético e seu enfrentamento com Washington após a revolução
liderada por Fidel Castro em 1959. Os membros do bloco tornaram sem efeito essa
decisão em 2009, mas Cuba não solicitou a sua reincorporação.
"Cuba não
pertence, nem irá pertencer à OEA", afirmou ontem Carlos de Cossio,
diretor geral dos Estados Unidos na chancelaria cubana.
Por AFP
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