
Foto: Reprodução/CNN
Mulher pagando
compra pelo celular: a intenção do Pix é diminuir cada vez mais o espaço do
dinheiro
Mesmo se você
não quisesse ouvir na palavra Pix, provavelmente o
seu banco não
o deixaria esquecer. Desde o último dia 5, principalmente. Atualmente, as
instituições financeiras estão em uma espécie de corrida pelas chaves, que nada
mais são que os seus dados sendo utilizados para fazer uma transferência. Ou
seja, esqueça agência e conta: agora, você poderá passar o seu CPF, e-mail ou
até mesmo número do celular.
E os bancos
estão se mexendo muito para isso porque, além de ser um mercado novo aberto
pelo Banco
Central (BC), diversos outros vão se fechar. E isso vai trazer um grande
impacto para as empresas.
De acordo com
um levantamento realizado pela consultoria Bain & Company, nos próximos
cinco anos, os bancos vão perder R$ 1 bilhão com o fim das transferências de
DOC e TED. A conta também inclui taxas de cartão de crédito. Afinal, a partir
do dia 16 de novembro, tudo poderá ser feito pelo Pix, de maneira gratuita e em
apenas dez segundos.
Não é um
dinheiro tão alto em comparação aos lucros bilionários das empresas. Mas
ninguém gosta de perder dinheiro, certo?
Por isso, a
corrida, agora, é tão importante para as empresas. Neste momento, não há uma
guerra aberta. Os bancos apenas estão tentando convencer os próprios clientes
de que eles, e não os concorrentes, são as melhores opções.
“É um mercado que
vai movimentar bilhões. Quando os bancos viram que não poderiam concorrer
contra o Pix, eles passaram a batalhar para manter os seus clientes dentro de
casa”, diz Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
E não são
apenas os bancos que estão correndo atrás dessas chaves. As fintechs também
estão e, inclusive, fazendo promoções. O Nubank, por exemplo, está prometendo
prêmios de até R$ 50 mil. O C6 Bank está oferecendo até 6 mil pontos em seu
programa de fidelidade. Já o Santander, que não é fintech, é verdade anunciou
que vai sortear dois prêmios de R$ 1 milhão.
Até mesmo
empresas que não são nativas financeiras estão tentando convencer seus
clientes. O Mercado Pago, que começou como um sistema de meio de pagamento do
Mercado Livre, quer seduzir especialmente os vendedores da plataforma. Um dos
argumentos é que ele é mais rápido, prático e, principalmente, mais barato do
que os sistemas convencionais de meios de pagamento.
E esse deve ser
o caminho do varejo. Pelo menos, deveria, na visão de Fabrício Winter, sócio e
líder de projetos da consultoria Boanerges & Cia, especializada em serviços
financeiros.
“O varejo ainda
não está explorando a inclusão financeira a importância do ecossistema deles”,
diz Winter. “E quem vai se destacar será aquele que conseguir, de fato, uma
experiência diferente. Não será o Pix por si só que dará esse poder.”
A gigante de
cartões Visa,
por exemplo, também está de olho. A companhia está vendendo serviços de
prevenção de fraudes e isso fazp arte do plano global da empresa para sair dos
"atrasados" cartões e ser vista como uma empresa de tecnologia.
"Nossa
meta é de que os serviços de tecnologia representem dois dígitos das nossas
receitas", disse Fernando
Teles, presidente da Visa, em entrevista à Reuters.
Desbancarizados
Um dos motivos
muito falados pelo BC para justificar o Pix se trata da diminuição da
desbancarização. Atualmente, são 45 milhões de brasileiros com mais de 16 anos
sem contas bancárias. Para se ter uma ideia, eles movimentam, juntos, R$ 817
bilhões por ano (um pouco menos do que o PIB da Nova Zelândia, que é de cerca
de R$ 840 bilhões).
Os dados são de
um estudo do Instituto Locomotiva. Para completar, antes da pandemia, 70% dos
brasileiros preferiam usar o dinheiro ao cartão para pagar contas. O motivo? Controle
mais facilitado e a possibilidade de pechinchar.
Com o auxílio
emergencial – e a obrigatoriedade de se abrir uma conta digital na Caixa
Econômica Federal para o recebimento do benefício –, as coisas podem estar
mudando. Ajuda, também, o fato das pessoas buscarem o menor contato
possível por causa da pandemia da Covid-19.
Mas é cedo,
segundo Meirelles, para cravar que o Pix será um sucesso. Porém, é mais cedo
ainda falar que as pessoas vão abandonar o dinheiro.
“Teremos um
movimento para evitar com que as pessoas não voltem para o dinheiro vivo, mas
os problemas do Pix só vão aparecer quando ele for, de fato, implementado”, diz
ele.
Mas, a partir
do dia 16 de novembro, quando tudo começará a funcionar, será possível entender
qual vai ser o tamanho do impacto do Pix na vida das pessoas e das empresas.
“E se o Pix
pegar rápido, aí que a ‘porradaria’ vai começar na concorrência”, diz
Meirelles. E cifras bilionárias nesse mercado é o que não faltam.
André
Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
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