
O ministro da Economia, Paulo Guedes.
Alan Santos/PR - 22.09.2020
Ministério da
Economia informou que expectativa para receitas em 2020 piorou R$ 9,725
bilhões, passando a R$ 1,446 trilhão
O Ministério da Economia divulgou nesta terça (22) a avaliação bimestral do Orçamento com uma projeção de déficit de R$ 861 bilhões em 2020. O anúncio, tradicionalmente feito com entrevista coletiva dos principais secretários que cuidam da área fiscal do governo, desta vez se restringiu a um documento oficial e uma nota à imprensa divulgados pela pasta às 19h25, quando a mensagem de envio do relatório já havia sido publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
O envio
silencioso do relatório ocorre na semana seguinte à polêmica envolvendo o Renda
Brasil, como vinha sendo chamado o novo programa social do governo Jair Bolsonaro.
O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, defendeu em entrevista o
congelamento de aposentadorias e mudanças no seguro-desemprego para liberar
recursos para o Renda Brasil. A declaração enfureceu o presidente, que ameaçou
dar "cartão vermelho" a quem propusesse algo do tipo.
Após o alerta de Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reuniu sua equipe às pressas e decretou uma espécie de "lei do silêncio" entre os integrantes da equipe econômica, para evitar novos vazamentos e, consequentemente, desgastes com o Palácio do Planalto.
O relatório
bimestral é uma divulgação periódica do Ministério da Economia, que costuma ter
a presença de Waldery e secretários da área de Orçamento. O último, com a
participação do secretário especial de Fazenda, foi anunciado em 22 de julho.
No documento
divulgado nesta terça, a Economia informou que sua expectativa para receitas em
2020 piorou R$ 9,725 bilhões, passando a R$ 1,446 trilhão. A queda se deve a
alterações na legislação tributária em função do combate à covid-19, ao
resultado da arrecadação entre junho e agosto de 2020 e à revisão das
estimativas de impacto do adiamento no recolhimento de tributos.
Houve ainda
mudança na projeção da arrecadação de contribuições previdenciárias e de
royalties de petróleo. Por outro lado, houve uma compensação parcial das perdas
com a renovação antecipada de contratos de concessões da Ferrovia Norte Sul e
da Ferrovia Malha Paulista.
No caso das
despesas, a previsão aumentou R$ 63,6 bilhões em relação ao projetado no
terceiro bimestre, passando a R$ 2,046 trilhões. O maior aumento foi de R$ 84,4
bilhões em novos créditos extraordinários para autorizar despesas relacionadas
ao combate à pandemia - entre eles os R$ 67,6 bilhões que bancarão a prorrogação
do auxílio emergencial até o fim do ano, no valor de R$ 300 por pessoa.
O valor de
subsídios, por sua vez, caiu R$ 17,3 bilhões, principalmente com a redução de
recursos destinados a subsidiar a linha de crédito para a folha de salários de
trabalhadores, que registrou baixa demanda das companhias em meio à migração do
apetite para outras linhas mais simplificadas e voltadas para micro e pequenas
empresas.
A Economia
informou ainda que espera uma despesa R$ 4,5 bilhões menor com benefícios
previdenciários do INSS, o que proporcionou uma redução no déficit previsto
para R$ 274,268 bilhões em 2020. A previsão de gastos com abono e
seguro-desemprego ficou praticamente estável em R$ 62,98 bilhões.
Por Agência Estado
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!