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| © AHMAD GHARABLI Cartazes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expostos em Jerusalém |
As negociações
se intensificam a poucos dias do fim do prazo para o polêmico projeto
israelense de anexar zonas da Cisjordânia ocupada, o que pode levar a questão
palestina novamente ao centro dos debates internacionais.
De acordo com
os termos do acordo para a formação de um governo de união com o antigo rival
Benny Gantz, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pode anunciar a
partir de 1º de julho sua estratégia para executar o plano do governo americano
de Donald Trump para o Oriente Médio.
O plano prevê a
anexação por parte de Israel do Vale do Jordão, uma ampla faixa de terra muito
fértil, e de mais de 100 colônias judaicas na Cisjordânia ocupada, além da
criação de um Estado palestino em um território reduzido que não teria
Jerusalém Oriental como capital, como exigem os palestinos.
Para Netanyahu,
o plano de Trump oferece a "oportunidade histórica" de fazer valer a
"soberania" de Israel em áreas da "Judeia-Samaria", nome
bíblico que Israel usa para identificar a Cisjordânia.
Para concretizar
o objetivo, Netanyahu tem apenas alguns meses, pois a reeleição de seu
principal aliado, Donald Trump, não está assegurada nos Estados Unidos, de
acordo com analistas.
Ele também
conta com as divisões na União Europeia (UE), principal parceiro econômico de
Israel, sobre possíveis sanções e uma reduzida mobilização da população
palestina contra o projeto até o momento.
O plano sofreu
um revés importante na quarta-feira, quando foi rejeitado por toda comunidade
internacional, exceto os Estados Unidos, no Conselho de Segurança da ONU. Foi
considerado um projeto que pode "acabar com os esforços internacionais a
favor da criação de um Estado palestino viável".
"Para
Netanyahu, trata-se de engolir o elefante. A questão é saber o tamanho do
pedaço que vai engolir, ou seja, quais serão os territórios anexados",
disse um diplomata ocidental que acompanha de perto o tema.
Nas últimas
semanas, Netanyahu intensificou a agenda de encontros com os representantes dos
mais de 450.000 colonos que moram nos assentamentos da Cisjordânia, região onde
vivem mais 2,8 milhões de palestinos. A questão é por onde começar e até onde
ir.
Em um cenário
maximalista, Israel anexaria tanto as colônias como o Vale do Jordão. Em um
cenário minimalista, começaria pela anexação das colônias, ou por grandes
blocos de colônias da Cisjordânia, como Maaleh Adumim, Gush Etzion, ou Ariel.
"A
amplitude da anexação terá, sem dúvida, um impacto na intensidade da reação
internacional", afirma Nimrod Goren, fundador do Mitiv, instituto de
pesquisas sobre o Oriente Médio e professor da Universidade Hebraica de
Jerusalém.
No lado
palestino, "um recrudescimento da violência na Faixa de Gaza, ou na
Cisjordânia, faria com que outros países intensificassem sua resposta e talvez
se envolvessem mais", completa.
Durante os
últimos anos, a "Primavera Árabe", a emergência do grupo extremista
Estado Islâmico (EI) e o aumento da influência do Irã em nível regional
contribuíram para deixar o conflito israelense-palestino em segundo plano.
Ao mesmo tempo,
Israel, que oficialmente tem relações apenas com dois países árabes - Egito e
Jordânia - busca estabelecer contatos com os países do Golfo, em particular,
com os Emirados Árabes Unidos.
Além da reação
das potências regionais e de possíveis medidas de represália dos países
europeus, Netanyahu precisa calibrar bem o apoio dos Estados Unidos a uma
medida unilateral, já que o plano de Trump prevê uma anexação após negociações.
Seu aliado no
governo de união, Benny Gantz, ex-comandante do Exército, advertiu que afetará
as relações com a vizinha Jordânia. O reino classificou a anexação de
"ameaça sem precedentes para o processo de paz" e que pode levar o
Oriente Médio a um "longo e doloroso" conflito.
Em plena crise
econômica provocada pela pandemia de COVID-19, o apoio à anexação perdeu força
entre a opinião pública israelense e está abaixo de 50%, devido ao temor de uma
nova onda de violência.
- Reações -
O braço armado
do Hamas, movimento islamita palestino que controla Gaza, afirmou nesta
quinta-feira que a anexação de partes da Cisjordânia ocupada por Israel será
uma "declaração de guerra" aos palestinos.
"A
resistência (palestina) considera a anexação da Cisjordânia e do Vale do Jordão
como uma declaração de guerra contra nosso povo e faremos todo o possível para
que o inimigo se arrependa", disse o porta-voz das Brigadas Ezzedin
al-Qassam, Abu Obaida, ao canal Al-Aqsa, que pertence ao Hamas.
O emissário da
ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, alertou para o risco de
"vácuo".
"Se os
palestinos sentirem que não há perspectivas para uma solução pacífica do
conflito, (isto) criará oportunidades para os radicais, pessoas com intenções
destrutivas, para preencher o vácuo", alertou Mladenov em um encontro com
a imprensa estrangeira em Jerusalém.
"Temos uma
longa série de exemplos no Oriente Médio. Quando se cria um vazio, quando
faltam perspectivas políticas, muito rapidamente alguém vem preenchê-lo com
intenções nefastas e mais destrutivas", disse Mladenov.
"Ninguém
quer uma guerra no Oriente Médio e menos ainda uma (guerra) com o potencial de
propagar-se além de suas fronteiras", acrescentou, antes de destacar que
trabalha para a retomada das negociações entre palestinos e israelenses.
AFP

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