![]() |
| Explosão de preços está entre principais obstáculo de acesso ao medicamento. George Frey/Reuters - 27.5.2020 |
Reumatologista
relata complicações causadas pela interrupção do tratamento e obstáculos para
conseguir medicamento em meio à pandemia de covid-19
A falta de
hidroxicloroquina, medicamento utilizado no tratamento do lúpus,
em Santarém, no Pará, está levando a um amento na internação de pacientes
com a doença, conforme relata o reumatologista João Alho.
Ele afirma que
está com cinco pacientes com lúpus internadas em estado grave, sendo a média de
internações, segundo ele, de uma a cada 20 dias, pois não encontraram o remédio
nas farmácias.
Estou com cinco pacientes com Lúpus internadas em
atividade grave no serviço. Nossa média é por volta de uma a cada 20 dias.
Em comum, elas tem algo: não conseguiram comprar um certo remédio há uns meses. Conseguem adivinhar qual?
Em comum, elas tem algo: não conseguiram comprar um certo remédio há uns meses. Conseguem adivinhar qual?
No tratamento
de Lúpus, a cloroquina é essencial para estabilizar a doença, que ataca o
sistema imunológico: a paralisação dos rins, artrite, problemas pulmonares e
hematológicos são algumas das complicações decorrentes da interrupção da
medicação. Embora não tenha eficácia comprovada contra o
coronavírus —
e seus testes já tenham sido suspensos pela OMS — a pandemia
fez com que a medicação “valesse ouro”. O Pará é um dos Estados
brasileiros com mais casos de covid-19.
“Antes de
estourarem os casos de coronavírus no Brasil já haviam relatos de
desabastecimento no mercado americano. Colegas reumatologistas já falavam sobre
isso, então já começamos a alertar os pacientes sobre a estocagem. É claro que
as pessoas não tinham condições financeiras, já que uma caixa para o mês de
tratamento custava em torno de R$ 80.”
De acordo com o
reumatologista, a caixa do remédio está custando em torno de R$ 120 nas
farmácias de Santarém, demorando de 30 a 40 dias para chegar. Na rede pública,
não falta medicação, mas o processo burocrático para conseguí-la já fazia com
que os pacientes recorressem às farmácias. Agora, segundo João Alho, “existe
uma peregrinação pelas farmácias.”
“Quando sabemos
que a medicação chegou em algum local, até em cidades vizinhas, todos correm
para lá. É bizarro porque são pessoas que estão muito doentes e têm que se
humilhar para conseguir um remédio que está sendo usado para fins indevidos”,
desabafa Alho, que já teve que optar pelo tratamento domiciliar para seus
pacientes por conta do risco de falta de leitos devido ao colapso do sistema de
saúde.
Em São Paulo, a
corrida pela cloroquina também têm afetado o trabalho e a saúde da farmacêutica
Gilza Santos, 33, portadora de Lúpus há 3 anos. Há meses, ela nota não só a
diferença de pedidos em sua farmácia de manipulação, como também a explosão nos
preços dos fornecedores. “Antes, o grama da cloroquina saía em torno de 70
centavos, agora chegou a R$ 8,90. Geralmente a fórmula da medicação é combinada
com predinisona e paracetamol. A receita está saindo em torno de R$ 430.”
Segundo explica
Gilza, o grama da cloroquina é vendido comprado pelos fornecedores em dólares e
vendido aos farmacêuticos em reais. Ela conta que tem presenciado pacientes
tentando racionar as receitas para poder arcar com o custo da medicação. O
acesso à receita em meio à pandemia também está entre os obstáculos.
“No momento em
que a medicação passou a ser vendida com receita, a pandemia já havia estourado
e os médicos já estavam fora dos consultórios, de forma que muitos pacientes
não tinham nem como conseguir a prescrição.”
Nayara Fernandes, do R7
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!