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| Madri é a região da Espanha mais afetada pelo coronavírus. Comunidad de Madrid/Handout via REUTERS - 21.3.2020 |
Capital da
Espanha registra 1.263 mortes e estuda usar pista de patinação no gelo como
alternativa de necrotério
Com empresas
funerárias saturadas, Madri utilizará o Palacio de Hielo, um centro comercial
com pista de patinação no gelo, como uma alternativa de necrotério para os
corpos de algumas pessoas que morreram devido à covid-19.
Nesta
segunda-feira (23), a Espanha chegou a 2.182 mortes pela doença transmitida
pelo novo coronavírus. Além disso, 33.089 pessoas foram infectadas, segundo dados
do Ministério da Saúde, que mostram que o aumento relatado a cada dia está
sendo gradualmente atenuado. No entanto, especialistas advertem que ainda não
têm certeza de que a pandemia tenha atingido seu auge no país.
Madri é a
região da Espanha mais afetada pela covid-19, com 1.263 mortes, das quais 242
foram registradas entre domingo e segunda-feira, dia em que começou a funcionar
um enorme hospital de campanha, cuja capacidade aumentará gradualmente para
5.500 leitos para aliviar a saturação dos demais centros médicos da capital
espanhola.
A decisão de
abrigar os corpos no Palacio de Hielo foi apoiada pelo prefeito de Madri, José
Luis Martínez-Almeida, que havia informado recentemente ao governo nacional que
a funerária municipal, que administra 14 cemitérios, não recolherá os corpos
dos mortos por covid-19 devido à falta de equipamentos de proteção individual
para seus trabalhadores.
Cadáveres em
uma pista de patinação
A pista de
patinação que será usada como necrotério tem 1.800 metros quadrados. Os corpos
serão colocados em caixões fechados, sobre uma superfície "de material
polimérico" para evitar o contato direto com o gelo, segundo um relatório
da Secretaria de Saúde de Madri ao qual a Agência Efe teve acesso.
A decisão foi
tomada, de acordo com o relatório, "tendo em conta a escassez de recursos
para armazenamento de corpos" em uma crise que "envolve um número
significativo de mortes por dia, que excede os recursos disponíveis".
Reforço
hospitalar
Os cerca de 200
primeiros pacientes com covid-19 começaram hoje a chegar ao hospital de campo
construído em apenas 48 horas no centro de eventos na capital espanhola que, em
dezembro do ano passado, sediou a Cúpula Mundial do Clima e, recentemente, a
Feira Internacional de Turismo (Fitur).
O hospital,
construído em parceria entre os governos municipal, regional e nacional, além
das Forças Armadas, foi concebido para receber progressivamente um total de
5.500 leitos.
Para a primeira
etapa, provavelmente na próxima semana, é esperado que o hospital atenda a
1.300 pessoas, segundo o diretor da unidade temporária, Antonio Zapatero. A
meta é receber pacientes com sintomas menos graves de covid-19.
Ele acrescentou
que a previsão é de que a capacidade do hospital aumente em cerca de 200
pacientes por dia, dependendo da logística envolvendo recursos humanos e
serviços de enfermagem e farmácia.
Governo não
quer frear economia
Depois de tomar
no sábado passado a decisão de prolongar o estado de alerta por mais 15 dias, o
governo espanhol reforçou nesta segunda-feira aos cidadãos o pedido para que
cumpram "à risca" todas as restrições já aprovadas para conter a
expansão do coronavírus, como as limitações "drásticas" aos
deslocamentos populacionais e à atividade econômica.
A
vice-presidente de Assuntos Econômicos, Nadia Calviño, disse em entrevista
coletiva que é "difícil entender" as alegações de fechamento total da
atividade industrial na Espanha quando a economia já está "muito
lenta" e focada em serviços essenciais e na luta contra o coronavírus.
Da Agência EFE

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