
O presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu às autoridades mexicanas nesta
terça-feira (5) que iniciem uma "guerra aos cartéis de drogas",
depois do ataque a uma comunidade mórmon americana no norte do México que matou
três mulheres e seis crianças, todas da
"Se o
México precisar ou pedir ajuda para se livrar desses monstros, os Estados
Unidos estão prontos, dispostos e capazes de se envolver para fazer o trabalho
de maneira limpa e eficaz", afirmou Trump no Twitter.
"É a hora
do México, com a ajuda dos Estados Unidos, iniciar a guerra contra os cartéis
de drogas e apagá-los da face da Terra. Estamos aguardando a chamada do novo
presidente", acrescentou Trump.
Já o presidente
mexicano, Manuel López Obrador, anunciou mais cedo hoje que pretende conversar
com seu colega americano a respeito da chacina na comunidade mórmon em seu
país.
"Toda a
cooperação necessária: é isso que vou dizer ao presidente Trump, e ver em que
eles podem ajudar, mas cuidando da nossa soberania, assim como eles fazem e
como todos os países fazem", declarou López Obrador em sua entrevista
coletiva matinal diária.
As nove pessoas
de uma comunidade mórmon americana instalada no norte do México há mais de um
século foram assassinadas na segunda-feira por um grupo de homens armados.
- Zona de
guerra -
Após a chacina,
Julián Lebarón, líder mórmon e ativista, denunciou que criminosos que agem na
região de Rancho de la Mora, na divisa entre os estados de Sonora e Chihuahua,
na fronteira com os Estados Unidos, foram os autores da morte de sua prima e da
família dela.
"Minha
prima Rhonita seguia com seu marido para o aeroporto de Phoenix (EUA) quando
foi emboscada. Atiraram e queimaram sua caminhonete com ela e seus quatro
filhos (...). Foi um massacre", disse Lebarón à Rádio Fórmula.
O ativista
revelou que seus familiares encontraram a caminhonete calcinada e com os corpos
da mulher e das quatro crianças dentro.
Os criminosos
sequestraram duas caminhonetes dirigidas por mulheres que transportavam oito ou
nove menores de idade, segundo Lebarón.
Algumas horas
depois, os dois veículos foram localizados com as duas mulheres que os
conduziam mortas a tiros, assim como dois menores de idade, um menino e uma
menina, também falecidos.
Entre cinco e
seis crianças conseguiram caminhar até sua casa, uma delas com um ferimento de
bala.
Durante a
noite, a comunidade mórmon, policiais e militares procuravam outra menor de
idade que teria se escondido em um bosque.
Perguntado
sobre quem poderia ter cometido o crime, Lebarón disse que "aqui é uma
zona de guerra", onde agem os cartéis das drogas e todo tipo de
"matador".
Segundo a
imprensa mexicana, a maioria dos desaparecidos tem dupla nacionalidade, mexicana
e americana.
Lebarón faz
parte de uma comunidade de mórmons que se transferiu para o México no final do
século XIX, em meio à perseguição nos Estados Unidos por suas tradições, em
especial a poligamia.
Com o aumento
da violência ligada ao narcotráfico, estas comunidades se viram afetadas.
Benjamín Lebarón, irmão de Julián, tornou-se um ativista, ao criar a
organização SOS Chihuahua, que denunciava grupos criminosos.
Benjamín foi
assassinado por homens armados junto com seu cunhado em julho de 2009, após
liderar manifestações contra o sequestro de seu irmão de 16 anos.
Os mórmons se
negaram a pagar o resgate, e o jovem Lebarón foi enfim libertado.
Em meio à
violência ligada ao narcotráfico, mais de 250 mil pessoas morreram no México
desde dezembro de 2006, quando o governo lançou uma polêmica operação
antidrogas. Deste total, os dados oficiais não especificam quantos casos
estariam relacionados à criminalidade.
afp.com
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