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© Reuters García
foi presidente do Peru por duas vezes,
entre
1985-1990 e 2006-2011.
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Acusado de ter
recebido propina da empreiteira Odebrecht, o ex-presidente do Peru Alan García
cometeu suicídio durante uma tentativa da polícia de prendê-lo nesta
terça-feira (17).
A Justiça
peruana havia pedido a prisão preventiva de García por dez dias. A acusação era
de que ele teria recebido subornos da empresa durante seu segundo mandato,
entre 2006 e 2011 - o que ele negava.
O pagamento
irregular teria relação com um projeto de metrô em Lima, capital do país. A
informação surgiu durante as investigações da Operação Lava Jato e seus
desdobramentos em países além do Brasil.
García foi duas
vezes presidente do Peru, entre 1985 e 1990 e 2006 e 2011. Também foi senador,
deputado e a principal figura do partido Aliança Popular Revolucionária
Americana (APRA).
Nasceu em uma
família de classe média, ligada ao partido. Aos 17 anos, ingressou na política,
se alistando na Federação Aprista Juvenil. Aos 31 anos, foi eleito deputado.
Chegou à
Presidência do Peru nas eleições seguintes, com 36 anos. Em seu mandato, o Peru
viveu um período de boom econômico, impulsionado por medidas populistas e um
elevado gasto público.
Em seguida,
porém, vieram anos de hiperinflação e uma profunda crise econômica. Além disso,
enfrentou ofensivas do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso.
A Lava Jato no
Peru
O suicídio de
García é mais um capítulo do escândalo da Odebrecht no Peru, investigado pela
Equipe Especial Lava Jato no país - em referência à operação brasileira, que
deu início às investigações sobre a empreiteira.
A Odebrecht
admitiu ter pago US$ 29 milhões de propina no Peru, entre 2005 e 2014, em troca
da obtenção de contratos. As suspeitas de corrupção recaem sobre quatro
ex-presidentes.
Em fevereiro
deste ano, a empreiteira assinou um acordo de colaboração com os promotores da
Lava Jato no Peru, no qual se comprometeu a fornecer informações e pagar uma
indenização de cerca de US$ 230 milhões.
Além de Peru e
Brasil, a empreiteira admitiu à Justiça dos Estados Unidos ter pago propinas em
mais dez países, na África e América Latina, no total de US$ 788 milhões.
Brasil e Peru são os países onde as investigações mais avançaram.
García defendia
inocência e tentou pedir asilo político
No final do ano
passado, García foi proibido de sair do Peru por 18 meses e pediu asilo ao
Uruguai, alegando ser vítima de perseguição política. O peruano chegou a ficar
alguns dias na Embaixada do Uruguai, mas acabou tendo sua solicitação negada.
Ele também foi presidente entre 1985 e 1990.
García dedicava
diversas postagens na sua conta no Twitter para se defender das acusações. Na
terça-feira, escreveu: "Como em nenhum documento sou mencionado e nenhum
indício ou evidência me envolvem, só resta a ESPECULAÇÃO ou inventar
intermediários. Jamais me vendi e está provado".
Já em novembro,
escreveu: "Obsessão. No Congresso discutem me envolver de qualquer forma
na Lava Jato. Mas a empresa Odebrecht já disse a quem pagou e quanto pagou.
'Nunca falamos de nada ilícito com Alan García".
Suspeitas
recaem sobre quatro ex-presidentes do Peru
Na semana
passada, o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski também foi preso preventivamente
no âmbito das investigações do escândalo da Odebrecht. Em seguida, deixou a
prisão e foi hospitalizado com pressão alta.
Conhecido como
PPK, fora eleito para um mandato presidencial até 2021, mas renunciou em março
de 2018 por conta do escândalo. PPK também é acusado de tentar comprar votos
para evitar sua destituição pelo Congresso. Ele nega.
Segundo
documentos entregues pela inteligência peruana para a comissão parlamentar que
investiga os desdobramentos da Lava Jato no Peru, empresas com elos com PPK
teriam recebido dinheiro da Odebrecht e repassado as quantias para a conta do
presidente.
As
transferências teriam sido feitas entre 2005 e 2016, quando PPK foi ministro da
Economia, primeiro-ministro e candidato presidencial, segundo reportagem do El
Comercio, de Lima.
Questionado na
comissão da Lava Jato no Congresso sobre o caso, PPK negou irregularidades.
"O responsável pela (inteligência peruana) deveria ser demitido",
disse.
Além de PPK e
Alan García, Ollanta Humala, que governou entre 2011 e 2016, foi preso
preventivamente no ano passado e hoje aguarda julgamento em liberdade.
Alejandro Toledo,
por sua vez, presidente do Peru entre 2001 e 2016, é considerado foragido pela
Justiça, vivendo nos Estados Unidos - há um pedido de extradição em curso.
Ambos negam as acusações.
No ano passado,
um ex-diretor da Odebrecht Peru, Jorge Barata, teria revelado as contribuições
da empresa para os principais partidos políticos peruanos na campanha
presidencial de 2011, incluindo as legendas de Keiko Fujimori (filha do
ex-presidente Alberto Fujimori), de PPK e de Toledo.

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