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© YURI CORTEZ (AFP) Nicolás Maduro, durante uma mensagem ao país.
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Em maio, o
sucessor de Hugo Chávez venceu eleições questionadas pela falta de
garantias democráticas e observadores independentes. As forças majoritárias da
oposição se recusaram a participar, provocando uma abstenção histórica de mais de 54%. O presidente, que
assumiu o cargo em abril de 2013, buscava se legitimar diante do aumento da
pressão e da deterioração dos direitos. Em resumo, começar um novo ciclo. Agora
se formaliza o início dessa etapa, que começa precisamente com uma anomalia, um
reflexo do que a Venezuela é hoje.
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Maduro prestará
juramento perante o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) em vez de fazê-lo na
Assembleia Nacional, conforme estabelece a Constituição. A razão é que o
Parlamento, com maioria da oposição, eleito em 2015, foi declarado em
desacato, não existe mais para o Governo. Esse mesmo tribunal o
despojou de suas funções e em julho de 2017, depois de três meses de protestos,
que deixaram cerca de 150 mortos, foi realizada a eleição de uma Assembleia
Nacional Constituinte na qual não têm assento representantes críticos em
relação ao partido no poder. Na prática, é um órgão legislativo — presidido
pelo número dois do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) — a
serviço do Executivo.
“A revolução
bolivariana não é um homem, é um povo que escolheu ser livre e está decidido a
defender sua liberdade, custe o que custar, nada nem ninguém o impedirá. Em 10
de janeiro prestarei juramento pelo povo”, proclamou o presidente, que para
tentar fazer frente às advertências e sanções anunciadas pelos Estados
Unidos e pela União Europeia, brande o fantasma do inimigo externo. “O
povo consciente e mobilizado está disposto a defender a soberania e a
independência da pátria, pelo seu direito inalienável de ser livre. Só o povo
salvar o povo!”, escreveu no Twitter.
A Venezuela
está mergulhada em uma catástrofe econômica sem precedentes na qual aos
problemas de escassez se juntam uma hiperinflação exorbitante — o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um aumento
dos preços de 1.800.000% em dois anos — e uma dependência das classes
populares das ajudas do Governo. Estas são algumas das causas de um êxodo que,
de acordo com as Nações Unidas, se acelerou nos últimos meses e já soma três
milhões de migrantes, dos quais mais de um milhão se estabeleceu na vizinha
Colômbia.
Nesse contexto,
Maduro, que em agosto sofreu um ataque de drones durante um ato militar, se empenha em
demonstrar que tem o apoio de potências estrangeiras. “A Venezuela conta com um
amplo apoio internacional e um povo consciente para vencer a perseguição
econômica e as agressões contra a pátria. Não deterão nossa marcha rumo à
prosperidade”, afirmou nesta quarta-feira. A realidade é que os efeitos dos
acordos comerciais firmados com Rússia, China e
Turquia por enquanto não foram notados e milhões de venezuelanos sobrevivem com
um salário mínimo que ronda os cinco dólares.
“Traição à
pátria”
A partir desta
quinta-feira, além disso, ficarão rompidas as relações diplomáticas com pelo
menos 13 países latino-americanos, os integrantes do chamado Grupo de Lima. Na
região, o chavismo continua tendo o apoio do presidente boliviano, Evo Morales,
do cubano Miguel Díaz-Canel e do nicaraguense Daniel Ortega. O México, no
entanto, continua moderado e Andrés Manuel López Obrador insiste em uma saída
negociada à crise, embora a oposição esteja desmobilizada ou na ilegalidade.
Os países do
Grupo Lima, entre eles Colômbia, Brasil, Argentina, Canadá, Chile e Peru,
proibirão a partir de sexta-feira a entrada em seus territórios de altos
funcionários, começando com o próprio Maduro. “Estamos avançando na
concretização dessas medidas”, disse o ministro das Relações Exteriores da
Colômbia, Carlos Holmes Trujillo. Entre elas, figura a de “exortar outros
membros da comunidade internacional a adotarem medidas semelhantes contra o
regime de Maduro em favor da restauração da democracia”. No Brasil, o
presidente Jair Bolsonaro também se manifestou diversas vezes contrariamente a
Maduro. Mas o PT, partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que
perdeu a eleição em outubro, enviará sua presidenta para a cerimônia.
"Somos solidários à posição do governo mexicano e de outros Estados
latino-americanos que recusaram claramente a posição do chamado Grupo de Lima,
abertamente alinhada com a postura belicista da Casa Branca", afirmou
Gleisi Hoffmann em uma nota.
O Governo venezuelano
respondeu com uma ameaça dirigida aos líderes da oposição e legisladores da
Assembleia Nacional. A Constituinte ordenou ao Tribunal Supremo de Justiça e ao
Ministério Público a abertura de uma “investigação imediata por traição à
pátria a todos aqueles que se dobraram à declaração do mal chamado Grupo de
Lima”. As condenações para esse crime podem chegar a 30 anos de prisão.
Francesco
Manetto
El País

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