![]() |
© / O
magistrado Christian Zerpa
|
O juiz do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela, Christian Zerpa, desertou para os Estados Unidos depois
de supostamente romper com o governo de Nicolás Maduro. A corte o acusa de fugir de uma investigação
por crimes sexuais.
Em entrevista
ao canal de televisão El Venezolano, de Miami, Zerpa afirmou neste domingo, 6,
que deixou seu país porque decidiu não apoiar a posse de Maduro para um segundo
mandato, marcada para a próxima quinta-feira, 10.
O magistrado
militou pelo partido de Maduro e vinha se mostrando leal ao chavismo até agora.
Ele afirmou, contudo, que há outros juízes venezuelanos que também estão
“descontentes” com o atual governo. Zerpa fugiu para a Flórida com sua esposa e
filha.
O Supremo
Tribunal de Justiça, porém, acusou Zerpa de tentar escapar de uma investigação
por “assédio sexual, atos lascivos e violência psicológica” contra funcionárias
de seu escritório.
O presidente do
TSJ, Maikel Moreno, indicou em nota que diante de “repetidas queixas” de
“conduta indecente e comportamento imoral”, as autoridades iniciaram uma ação
judicial contra o “ex-juiz”.
Segundo a El
Venezolano, Zerpa está disposto a colaborar com o sistema de justiça americano
nas investigações sobre corrupção e violações de direitos humanos contra
funcionários públicos e colaboradores do governo Maduro.
O juiz
Zerpa militou
no Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de Maduro. Ele foi nomeado
pela antiga maioria parlamentar oficialista em dezembro de 2015, alguns dias
antes de a oposição assumir o controle da Câmara.
Ele e outros
juízes do TSJ são alvo de sanções financeiras dos Estados Unidos, Canadá,
Panamá, União Europeia e Suíça.
Situação
política
Neste sábado,
5, o Parlamento da Venezuela, controlado pela oposição, declarou que o
novo mandato de Nicolás Maduro é ilegítimo.
O novo governo
terá início na próxima quinta-feira, 10. Segundo o Parlamento, a partir deste
dia a Presidência será usurpada.
“Reafirmamos a
ilegitimidade de Nicolás Maduro (…). A partir de 10 de janeiro estará usurpando
a Presidência e, consequentemente, esta Assembleia Nacional é a única
representação legítima do povo”, disse o novo presidente do Legislativo, Juan
Guaidó, após tomar posse do cargo.
A decisão do
Parlamento, porém, não deve ter grande efeito prático, já que todas as suas
decisões são anuladas pela Justiça venezuelana controlada por Maduro.
Depois de a
oposição conseguir a maioria das cadeiras na Assembleia Nacional, o governo
considerou que o órgão desacatou a Justiça e passou a declarar nulos os seus
atos. Maduro não presta contas aos deputados desde 2016.
A Assembleia
Constituinte, criada por Maduro em 2017, vem tomando as decisões sobre
calendário eleitoral e eleições legislativas, assim como uma outra série de
medidas, no lugar do Parlamento.

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!