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© Foto:
André Penner/AP
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O discurso do presidente Jair
Bolsonaro repercutiu nas principais veículos de comunicação
europeus nesta quarta-feira, 2. Praticamente todas as publicações enfatizaram a
fala do novo líder da maior economia da América Latina em que cita a libertação do Brasil do socialismo.
O jornal
britânico The Guardian foi um dos que mencionaram o trecho
como destaque. "Suas palavras encantaram uma multidão de mais de 100 mil
pessoas - muitas das quais viajaram à capital modernista para o evento, convencidas
de que o populista de extrema direita pode resgatar o País conturbado da
corrupção virulenta, do aumento do crime e da estagnação econômica",
mencionou o diário. No jornal britânico de economia Financial Times,
a posse de Bolsonaro não recebeu qualquer menção na edição impressa desta
quarta-feira nem na versão na internet.
Ainda no Reino
Unido, a rede de televisão BBC repetiu algumas vezes na noite
de ontem uma reportagem sobre a posse de Bolsonaro. Em seu site na internet
hoje, o assunto já está fora da página principal do veículo. No material de
ontem, a BBC destacou que o presidente usou seu discurso de posse para prometer
a construção de uma "sociedade sem discriminação ou divisão".
O enfoque sobre
o fim do socialismo no país durante o discurso do novo presidente foi dado pelo
francês Le Monde. Saudando "neste dia em que as pessoas
começam a se libertar do socialismo, da inversão de valores, do gigantismo do
Estado e do politicamente correto", o líder da extrema direita brasileira
prometeu livrar o país das "ideologias nocivas" que "destroem
nossas famílias", como as da "teoria do gênero" que abomina, ou
"marxismo", que ele acredita detectar nos livros didáticos.
Garantindo às pessoas "boas" o direito de "legítima
defesa", ele novamente mencionou seu desejo de flexibilizar o mais rápido
possível a lei de 2003 que proíbe o porte de armas, mostrando ao mesmo tempo
sua benevolência para com os atores da defesa do agronegócio em conflito com o
movimento dos sem-terra e dos povos indígenas.
O também
francês Le Figaro mantém o tema sem muito destaque em sua
página na internet. "Jair Bolsonaro assumiu o cargo na terça-feira,
abrindo uma era de ruptura com sérias incertezas em relação à mudança para a
extrema direita da maior potência da América Latina."
Já o espanhol El
País enfatizou a exibição da aliança de Bolsonaro com o presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump. "Bolsonaro e o presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitaram a cerimônia para
mostrar, via Twitter, sua aliança, que é uma virada 'copernicana' da política
externa brasileira", ressaltou o periódico. O veículo também informou que,
em seu discurso de posse, o presidente evitou sua habitual crítica ao Partido dos Trabalhadores (PT) para convocar os
deputados a se unirem "à missão de reconstruir o País, libertando-o do
crime, da corrupção, da submissão ideológica e da irresponsabilidade
econômica".
O
português Diário de Notícias, que acompanhou a transmissão do cargo
ontem em tempo real, por sua vez, dá destaque à posse e salientou quatro frases
do pronunciamento de Bolsonaro consideradas como "a chave" do
discurso de posse: 1) "Este é o dia em que o povo começou a se libertar do
socialismo, da invasão de valores, do politicamente correto, do gigantismo
estatal; 2) "Temos o desafio de enfrentar a ideologia que descriminaliza
bandidos, pune policiais e destrói famílias, vamos restabelecer a ordem no
País"; 3) "Esta é a nossa bandeira, que jamais será vermelha, só será
vermelha se for do nosso sangue derramado para a manter verde e amarela",
e 4) "Traremos a marca da confiança de que o governo não vai gastar mais
do que arrecada, do interesse nacional, do livre mercado e da eficiência, da
garantia de que as regras, os contratos e as propriedades serão respeitados.
Célia Froufe

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