Ex-embaixador
do Vaticano em Washington acusou o pontífice de encobrir casos de abuso nos
EUA. Vaticano não quis comentar as novas acusações de Carlo Maria Viganò.
O arcebispo que
provocou uma crise na Igreja Católica ao pedir a renúncia do Papa Francisco
negou ser motivado por vingança e declarou que tentou mostrar que a corrupção
chega ao topo da hierarquia da instituição. O Vaticano não quis comentar as
novas acusações de Carlo Maria Viganò.
No domingo
(26), o antigo núncio apostólico em Washington (posto equivalente ao de
embaixador do Vaticano) divulgou um comunicado em que afirma que o papa sabia há anos sobre a má conduta sexual
do norte-americano Theodore McCarrick, ex-cardeal e ex-arcebispo de
Washington. Segundo Viganò, o pontífice não fez nada a respeito.
"Nunca
nutri sentimentos de vingança ou rancor em todos estes anos. Eu me manifestei
porque a corrupção alcançou os níveis mais altos da hierarquia da Igreja",
declarou o arcebispo ao jornalista italiano Aldo Maria Valli.
Viganò, de 77
anos, vem se comunicando com a imprensa através do jornalista da televisão
italiana a que ele consultou várias vezes antes de divulgar o polêmico
comunicado no domingo (26), quando o papa estava em visita à Irlanda.
Após a
divulgação do documento, a mídia italiana noticiou que ele se aborreceu por
nunca ter sido promovido a cardeal pelo ex-pontífice Bento 16 ou porque
Francisco impediu seu avanço na Igreja.
No voo de volta
da Irlanda a Roma, o pontífice não
comentou as declarações de Viganò. Ele afirmou apenas que os jornalistas
deviam ler o o comunicado cuidadosamente e decidir por si mesmos sobre sua
credibilidade.
Acusação
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Cardeal Theodore McCarrick com Papa
Francisco
(Foto: Jonathan Newton/The
Washington Post via AP)
|
Viganò, que foi
embaixador do Vaticano nos EUA entre 2011 e 2016, afirmou que ele mesmo
informou a Francisco, em 2013, que Theodore McCarrick se relacionava
sexualmente com jovens seminaristas. "Ele sabia, pelo menos desde 23 de
junho de 2013, que McCarrick era um predador”, declarou.
Ele afirmou que
o antecessor de Francisco, Bento 16, chegou a punir McCarrick em 2009 e 2010,
que foi condenado internamente a uma vida de penitência. No entanto, segundo
ele, Francisco reabilitou o arcebispo quando assumiu o papado.
Em julho deste
ano, Francisco aceitou a renúncia de McCarrick, hoje com 88 anos, após uma
investigação da Igreja concluir que uma acusação sobre o abuso de um adolescente
de 16 anos pelo clérigo nos anos 1970 era "crível e fundamentada”. Desde
então, outros homens se apresentaram e afirmaram que sofreram abusos por parte
de McCarrick. Um deles contou que tinha 11 anos quando passou a ser molestado.
Pedido de
renúncia
No final do
documento, divulgado no domingo, Viganò pede a renúncia do papa.
"Neste
momento extremamente dramático para a Igreja Católica, ele tem de reconhecer os
seus erros e, em respeito pelo princípio de tolerância zero que está a
proclamar, o Papa Francisco deve ser o primeiro a dar o exemplo aos cardeais e
bispos que ajudaram a encobrir os abusos do cardeal McCarrick, e ser o primeiro
a renunciar”, disse.
Por Reuters


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