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© BBC Num
dos vídeos que circulam pelas redes sociais,
um
adolescente é induzido a dizer que quer 'dar para o Neymar'
|
Começam a
circular em grupos de brasileiros no WhatsApp novos vídeos de brasileiros
ridicularizando estrangeiros durante a Copa do Mundo.
Em um deles, um
adolescente é induzido a repetir frases como "Eu dei para o Neymar",
"eu sou filho da p..." e "eu sou veado".
Tudo indica que
as imagens foram gravadas na Fan Fest de Rostov, onde o Brasil disputou seu
primeiro jogo da Copa no domingo, quando empatou com a Suíça
Brasileiros que
moram na Rússia publicaram, nas redes sociais, críticas ao rapaz que fez o
vídeo.
"Esses
lixos que infelizmente são do meu país de origem não se limitaram a ofender
mulheres, agora fazem isso com crianças! Covardes nojentos", escreveu no
Facebook a brasileira Fernanda Kuznetsova, que mora em São Petersburgo.
Em outro vídeo,
um grupo de mulheres segue instruções de um homem que diz: "Eu quero dar a
b... para vocês". As três jovens repetem, sem saber o significado das
palavras. O rapaz comemora e, em seguida, grita: "Brasil! Brasil!"
Os novos vídeos
causaram também revolta entre brasileiros que viajaram para acompanhar a
seleção.
"Nunca vi
tanta falta de caráter e sem vergonhice", disse uma brasileira ao assistir
às imagens. As gravações foram publicadas inicialmente em canais no YouTube e
no Facebook.
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© BBC Neste
vídeo, três jovens são induzidas a dizer que querem
fazer sexo
com o brasileiro. Elas repetem as palavras sem,
aparentemente,entender o
significado delas
|
A polêmica teve
início quando começou a circular um vídeo no qual torcedores brasileiros, sob o
pretexto de ensinar cantos de torcida, fazem com que uma mulher repita palavras
que remetem ao órgão sexual feminino. Eles rodeiam a jovem e gritam: "Essa
é bem rosinha!"
Ela sorri e
repete animada, claramente sem compreender o teor do que está sendo dito. A
atitude desses homens foi recriminada até por celebridades brasileiras, como
Fernanda Lima e Bruna Linzmeyer.
"Não é
engraçado. É machismo. Misoginia. E vergonha. Muita vergonha", afirmou a
Linzmeyer, em seu perfil do Instagram. As cantoras Ivete Sangalo e Daniela
Mercury lamentaram, pelo Twitter, o que chamaram de "papelão
machista" e "abuso moral".
Na Rússia, onde
o machismo ainda é considerado dominante, não há leis específicas contra
assédio sexual.
De acordo com o
advogado russo Andrei Shugaev, dificilmente esses casos poderiam ser
enquadrados como crime ou contravenção. Segundo ele, falar palavrões em público
é uma ofensa administrativa punível com multa ou detenção.
No entanto,
Shugaev destaca que a polícia russa não tem agido com rigidez nesses casos
durante a Copa do Mundo.
Petição
Já a jurista e
ativista feminista russa Alena Popova iniciou uma petição online, endereçada ao
Ministério de Assuntos Interiores da Rússia, pedindo que os autores do vídeo
sejam responsabilizados.
Segundo a
petição, há diferentes artigos na legislação do país que punem quem
"publicamente humilha a honra e a dignidade de uma menina ou mulher
russa".
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© BBC O
caso que gerou maior repercussão é o de um grupo
de brasileiros que induziram uma jovem a
repetir palavras que
remetem ao órgão sexual feminino
|
Conforme o
documento, os autores do vídeo podem ser enquadrados em dois artigos que
penalizam quem "insulta a outrem" ou "atenta contra a ordem
pública".
"Mais do
que isso, queremos que os estrangeiros que fizeram o vídeo peçam desculpas
públicas à jovem e a todos os cidadãos da Rússia pelo sexismo, desrespeito às
leis russas, desrespeito às cidadãs russas, insulto e humilhação baseada em
gênero", conclui a petição.
Popova também
confirmou à BBC News Russian que encaminhou um pedido, por email, à Embaixada
do Brasil na Rússia, perguntando que sanções, pelas leis brasileiras, poderiam
ser aplicadas aos autores do vídeo. No email, ela também pergunta se a
diplomacia brasileira pretende adotar alguma providência.



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