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© Amanda
Perobelli/Estadão Bombeiro Diego Santos
quase salvou homem antes de desabamento
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O sargento
Diego Pereira da Silva Santos, do Corpo de Bombeiros, subiu as escadas do
prédio vizinho ao Edifício Wilton Paes de Almeida, no centro de São Paulo, para
avisar os moradores que o local deveria ser evacuado, por causa dos riscos
que o incêndio representava nas imediações. Quando estava no 15.º andar, ouviu
um grito vindo pela janela da cozinha. Ao olhar, percebeu alguém pendurado no
prédio em chamas. "Era um grito de socorro. Ele estava
O homem do lado
de fora era Ricardo, a única pessoa considerada oficialmente
"desaparecida" depois do desabamento. Para pedir ajuda no lado de
fora, a vítima tentou deixar o apartamento, tomado por chamas, onde a
temperatura estimada pelos bombeiros chegava aos 400° C. Ricardo pendurou-se e
esperou o resgate até a chegada do sargento Diego.
O bombeiro, que
é lotado em um quartel na Vila Mariana, subiu até a laje do prédio vizinho e
usou um machado para abrir espaço e começar a operação de resgate. "Ele
gritava por socorro e pedia para ser retirado de lá. Pedi que confiasse em mim
e seguisse os procedimentos. Ele estava estabilizado."
O bombeiro,
então, lançou dois equipamentos para o homem segurar: uma fita tubular, branca,
para pôr embaixo do braço, e um cinto alemão, que se assemelha a uma
cadeirinha, para prender à cintura, entre as pernas. A primeira parte foi feita.
No entanto, quando a vítima estava na parte final, os dois perceberam que havia
algo errado. "Precisávamos de mais 30 segundos para salvá-lo".
"Houve um
barulho embaixo, mas em cima não dava para escutar que isso estava acontecendo,
que o prédio estava indo para baixo", contou o sargento Diego. "Pulei
para trás e me protegi. A corda dele não resistiu e rompeu. Eram sete andares
de concreto quente em cima dele."
A estimativa é
de que as buscas e a retirada dos escombros demorem mais uma semana. Após o desmoronamento,
o que sobrou da corda passou a servir como uma guia na procura pela vítima,
descrito pelos bombeiros como um homem moreno, de cabelo curto, entre 25 e 30
anos. Ricardo não disse ao sargento se havia outras pessoas no andar.
"Fico chateado por não ter conseguido salvá-lo. Tentamos de tudo. Não tem
como não se emocionar."
Tatuagem
Entre os
moradores da invasão, Ricardo era conhecido pelo apelido de
"Tatuagem" – justificado pela grande quantidade de gravuras que lhe
tomavam um braço inteiro. Segundo relatam, o homem morava sozinho em um quarto
do 9.º andar do edifício.
Embora não saibam
informar sobrenome ou idade dele, os vizinhos o descrevem como discreto e
gentil. Tanto que a vítima teria ajudado outras pessoas a deixar o prédio,
antes de ficar presa entre as chamas. 
Prédio desaba
durante incêndio no centro de São Paulo: Sargento Diego, que auxiliava um
morador no resgate no momento em que o prédio desabou, concede entrevista
coletiva
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Rau/Estadão
Sargento Diego,
que auxiliava um morador no resgate no momento em que o prédio desabou, concede
entrevista coletiva
A moradora
Elaine Oliveira, de 36 anos, contou ter visto Ricardo subindo as escadas para
tentar salvar outras pessoas. "Tinha muitos idosos, ele foi ajudar a
descer”, disse. “Na hora houve muita gritaria, os vidros estavam
estourando."
Por causa do
incêndio, o prédio também ficou sem energia elétrica e o desaparecido teria
usado a lanterna do celular para continuar as buscas. "Ele deve ter ouvido
um grito de 'socorro' e foi lá para cima", disse Elaine.
"Era uma
pessoa sossegada, não fumava, não bebia. Tratava todo mundo bem", afirmou
Gilberto Pereira, de 36 anos, um dos administradores da ocupação, que lamentou
a morte do amigo. "Ele sempre foi muito trabalhador."
Ricardo vivia
de bicos. Na maioria das vezes, ganhava dinheiro descarregando caminhões na Rua
25 de Março, no centro. Entre os moradores, a imagem dele também é
imediatamente associada aos patins. "Saía para trabalhar patinando",
disse Pereira. Memória compartilhada por Elaine. "Ele mesmo colocava nos
pés das crianças. Era bonito."

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