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© Alex de
Jesus/O Tempo / Agência O Globo
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SÃO PAULO - No
segundo dia de paralisação dos caminhoneiros, que protestam contra a alta dos
preços do óleo diesel, o movimento teve a adesão de mais profissionais e o
número de interdições somente em rodovias federais chegou a 275 pontos nesta
terça-feira, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com a
Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) a adesão ao protesto subiu de
200 mil para mais de 300 mil profissionais. O aumento das adesões e dos os
pontos de interdição começou a afetar o abastecimento e o funcionamento do
setor de alimentos, transportes e das empresas.
O aeroporto de
Brasília é um dos que correm o risco de enfrentar problemas de falta de
combustível (querosene de aviação) por causa da paralisação. Segundo a
Inframérica, que administra o aeroporto, a reserva de combustível já está sendo
usada, com contingenciamento no fornecimento, e pode acabar ainda nesta
terça-feira se a situação não for normalizada. A frota de caminhões que
abastece o terminal está parada no Entorno do Distrito Federal, em Luziânia.
Em nota, a
Inframérica informou que já notificou às companhias aéreas que operam no
aeroportos sobre a restrição de combustível no aeroporto da capital. As
aeronaves devem pousar com combustível suficiente para outros destinos. A
concessionária destaca ainda que está tomando medidas para garantir a segurança
e minimizar os problemas para os usuários. Os passageiros devem procurar as
empresas para saber informações dos voos.
Não só os
aeroportos podem ficar sem diesel. A Federação das Empresas de Transportes de
Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor) informou que a greve também está
afetando o abastecimento das empresas de transporte público de ônibus em todo o
estado. O bloqueio montado em rodovias e terminais de distribuição de
combustíveis impede, segundo a federação, a renovação dos estoques das
empresas, que na maioria dos casos acontece diariamente.
A Fetranspor
afirma ainda que já há empresas de transporte que estão com as operações
limitadas, afetando os passageiros. De acordo com a federação, o racionamento
de combustível foi adotado em caráter emergencial até a normalização da
distribuição de óleo diesel e que se as manifestações não forem encerradas, há
o risco de paralisação de todas as empresas.
O MetrôRio, por
sua vez, informa que, em razão da redução da circulação dos ônibus, reforçará,
a partir desta quarta-feira, as equipes em operação nas 41 estações a fim de
assegurar a agilidade no atendimento e a segurança no transporte dos clientes.
Por meio de
nota divulgada na tarde desta terça-feira, o Sistema Firjan manifestou sua
preocupação com a paralisação e alertou para o risco de desabastecimento. Para
a Federação, a situação se mostra ainda mais grave no caso da indústria
fluminense, já que "a crise econômica levou as empresas a trabalharem com
estoques muito reduzidos e qualquer paralisação no transporte leva rapidamente
ao desabastecimento".
A General
Motors informou que os bloqueios já comprometem o fluxo de distribuição de
componentes (autopeças) em suas unidades, que tiveram de paralisar a produção.
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) informou também já ter
problemas.
- Todo o nosso
setor de matérias primas vivas (boi, suíno, aves), e leite e o abastecimento em
geral está sendo muito afetado - disse o presidente executivo das duas
entidades, Péricles Salazar, acrescentando: - Nós estamos recebendo inúmeras
queixas de caminhões transportando nossos produtos que são perecíveis e estão
parados em várias regiões do país.
No início da
noite, a Aurora Alimentos informou que paralisará totalmente as atividades das
suas unidades de processamento de aves e suínos em Santa Catarina, Paraná, Rio
Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (inicialmente), na quinta e sexta-feira, por
causa da greve que atinge o setor de transportes nas regiões onde estão
instaladas as suas fábricas.
"A
suspensão total das atividades tornou-se imperativa e inevitável em razão dos
efeitos do movimento grevista que impede a passagem dos caminhões que
transportam todos os insumos necessários ao funcionamento das indústrias e,
também, o escoamento dos produtos acabados para os portos e os centros de
consumo", disse a Aurora em nota.
A paralisação
também afeta a movimentação nos portos. As assessorias de imprensa dos portos
de Paranaguá (PR) e Santos (SP), os principais canais de exportação da safra
agrícola do Brasil, informaram à Reuters que há manifestações nas entradas de
ambos os terminais, e por isso muitos caminhões nem estão se dirigindo aos
locais em razão dos protestos. Em Paranaguá, por exemplo, apenas 300 caminhões
deram entrada na segunda-feira, contra cerca de 2 mil normalmente nesta época
do ano, enquanto em Santos o movimento também está reduzido. Em virtude dos
estoques, contudo, as operações de carga e descarga dos navios transcorrem
normalmente nesses locais.
MOVIMENTO
CONTINUA
Os transtornos
do movimento da categoria podem se agravar, segundo o presidente da Abcam, José
de Fonseca Lopes, caso o governo não atenda a reivindicação dos caminhoneiros
de tirar do preço do diesel tributos como PIS/Cofins e Cide, pelo menos.
-- O movimento
continua nesta quarta-feira. O governo está falando que vai tirar a CIDE. Isso
para nós não interessa. Tem que tirar do preço do diesel, além da Cide, PIS,
Cofins -- disse Lopes, dizendo temer uma radicalização da categoria: -- Se o
governo não se manifestar, não vai ter mais acordo. O pessoal quer fechar tudo,
só vai passar carro, ônibus e ambulância. Carga viva, caminhões frigoríficos e
com alimentação perecível, que estão sendo liberados hoje, não passarão. Vai
faltar tudo.
Agência O
Globo

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