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© Foto:
REUTERS/Paulo Whitaker Aliados tentam
reunir Alckmin e Temer
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Amigos em comum
do presidente Michel Temer e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,
querem promover um encontro entre os dois para verificar se é possível algum
tipo de acerto do MDB com o PSDB na campanha eleitoral. Aliados do Palácio do
Planalto estão preocupados com o mau desempenho das candidaturas de centro e
têm cada vez mais receio do lançamento de outsiders na política, como o
apresentador de TV Luciano Huck.
O Planalto se
surpreendeu com a estagnação de Alckmin na pesquisa do Datafolha, feita após a
condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Tribunal
Regional Eleitoral da 4.ª Região a 12 anos e 1 mês de prisão. Pré-candidato do
PSDB à Presidência, Alckmin tem de 6% a 11% das preferências nas pesquisas de
intenção de voto.
O problema é
que a expectativa de crescimento de outros postulantes de partidos da base
aliada, como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), e o presidente da
Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), continua muito baixa. Além disso, a persistente
impopularidade de Temer dificulta o seu desejo de concorrer a um novo mandato.
Pesquisas que
chegaram ao Planalto associam a fragilidade de Alckmin até mesmo aos escândalos
protagonizados pelo senador Aécio Neves (MG), ex-presidente do PSDB. Na mira da
Lava Jato, Aécio chegou a ser afastado do mandato, no ano passado, mas o
Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Judiciário pode afastar
parlamentar, mas a decisão passa pelo crivo do Legislativo. O Senado acabou
devolvendo o mandato para Aécio. O governador paulista também é alvo de
investigações.
No Palácio dos
Bandeirantes, porém, auxiliares de Alckmin dizem que a aliança do PSDB com o
MDB de Temer foi tóxica para o tucano e está contaminando sua campanha.
Alckmin tenta
agora fisgar partidos que hoje estão na coalizão governista, como o DEM. Seu
plano é ter um vice do partido, como o atual ministro da Educação, Mendonça
Filho, e apoiar a reeleição de Maia ao comando da Câmara, em 2019. O pacote
também incluiria a adesão do PSDB a palanques do DEM em outros Estados, como
Rio e Bahia.
Pacto. De
olho nesses movimentos, interlocutores de Temer procuram reaproximá-lo de
Alckmin. Recorrem até mesmo ao argumento de que, enquanto os dois se estranham,
Luciano Huck vai ganhando espaço e tende a entrar na disputa, roubando votos
dos candidatos de centro. Para correligionários do presidente, mesmo que não
haja uma aliança nacional entre o PSDB e o MDB, os dois partidos podem firmar
composições regionais e até um pacto de não agressão.
“O Geraldo e o
Michel precisam conversar e eu sou um dos que estão tentando organizar esse
encontro”, afirmou o deputado Beto Mansur (PRB-SP), vice-líder do governo na
Câmara. “Depois daquela estranheza que houve na questão das denúncias, é bom
aparar as arestas”, emendou ele.
Mansur se
referia ao fato de Alckmin não ter ajudado Temer a conquistar votos da bancada
do PSDB para derrubar as duas denúncias apresentadas contra ele na Câmara pela
Procuradoria-Geral da República, no ano passado. “Ficou um mal-estar”, resumiu
o deputado. O distanciamento aumentou com a saída do PSDB da base aliada.
Defensor da
unidade do centro político, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira – único ministro
tucano que permaneceu na equipe após o desembarque do partido – procura
reconstruir as pontes entre o Planalto e o Bandeirantes.
“O caminho do
PSDB está traçado, não importa quem entre ou saia. Seguiremos em frente, com a
certeza de que iremos para o segundo turno. O que as pesquisas de hoje indicam
é que a sociedade está pouquíssimo interessada na política”, afirmou o deputado
Silvio Torres (PSDB-SP), tesoureiro da legenda e amigo de Alckmin.
O
ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse que o Executivo
trabalha para que os partidos aliados caminhem juntos na eleição presidencial.
Admitiu, porém, as dificuldades para esse acordo. Na sua avaliação, se Temer
não quiser entrar na briga por um novo mandato, o aval a Alckmin não está
descartado. “Mesmo o PSDB não sendo organicamente da base, tem um discurso
reformista”, insistiu o ministro.
Marun disse, no
entanto, que todas essas articulações passam pela aprovação da reforma da
Previdência na Câmara. O Planalto espera o respaldo dos tucanos na votação, que
deve ocorrer neste mês, caso a proposta não seja retirada da pauta por falta de
apoio. “No nosso cronograma político, Previdência vem antes de Presidência”,
comentou Marun.

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