A oposição da
Venezuela terá um adversário fraco na próxima eleição presidencial na figura do
impopular presidente Nicolás Maduro, mas precisará superar um desafio mais
difícil -- a abstenção entre suas próprias fileiras.
Os índices de
aprovação de Maduro estão em torno dos 20 % devido à economia em colapso, à
inflação descontrolada e à desnutrição crescente, uma deterioração chocante em
um país que já foi um exemplo de opulência movida a petróleo na América do Sul.
Mas a motivação
do eleitorado está enfraquecendo devido aos receios de fraude, à desconfiança
em relação à autoridade eleitoral e aos candidatos opositores fracos, o que
pode ajudar Maduro a conquistar um segundo mandato de seis anos.
O governo ainda
não marcou uma data para a eleição, mas disse que a votação precisa ser
realizada antes do final de abril.
Líderes da
oposição estão pedindo união antes da eleição, mas condicionam sua participação
a exigências como a criação de uma nova autoridade eleitoral, algo que os
aliados de Maduro dificilmente concederão.
Até agora a
mensagem mais coerente veio de políticos de menor expressão que estão
insistindo que a oposição se omita.
"Só existe
uma resposta: não", disse Maria Corina Machado, que tem uma presença
midiática considerável, mas pouca influência política. "(A oposição) não
pode ser cúmplice de um processo que busca legitimar o regime".
Otimistas
acreditam que o lançamento oficial da campanha eleitoral pode gerar ânimo e
convencer os venezuelanos cansados da crise a votarem em qualquer candidato que
enfrente Maduro.
Mas os céticos
insistem que o conselho eleitoral está nas mãos do governista Partido
Socialista Unido da Venezuela (PSUV), e que provavelmente alterará os
resultados da votação.
"Eu não ia
querer votar na oposição só para ver os resultados mostrarem que meu voto foi
para o governo", disse Manuel Melo, projetista gráfico de 21 anos que
perdeu um rim em 2017 ao ser atingido por um canhão de água durante um
protesto.
"Como vai
haver fraude, prefiro não votar".
Muitos também
vêm acusando os líderes opositores de fazerem concessões demais a Caracas e, em
alguns casos, de serem candidatos de mentira às ordens de Maduro.
Por Reuters

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