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© Fabio
Motta/Estadão Ao deixar o comando da CBF, conseguiu eleger
seu braço direito, Marco Polo Del Nero,
para o comando da entidade
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ZURIQUE – José Maria Marin, o ex-presidente da
CBF, pede que seu julgamento nos EUA seja anulado e que um novo processo seja
instaurado. Em dezembro, ele havia sido condenado por seis crimes por uma corte
de Nova Iorque e, desde então, aguarda sua sentença em uma prisão americana.
Agora, ele insiste à Justiça americana que deve ser inocentado ou que, pelo
menos, um novo processo seja realizado.
O argumento do
brasileiro é de que os promotores que apresentaram o caso não mostraram provas
concretas de que Marin teria de fato recebido dinheiro em troca de oferecer
contratos a empresas de televisão e marketing. O Ministério Público americano o
acusa de ter recebido US$ 6,5 milhões em propinas, em troca de contratos para
eventos como a Copa América, Libertadores e Copa do Brasil.
Para convencer
o júri, os promotores levaram à corte diferentes testemunhas. Todas indicaram
como teriam recebido do brasileiro pedidos específicos por propinas. Os mesmos
empresários ainda apontaram como o então vice-presidente da CBF, Marco Polo Del
Nero, também fazia parte do esquema, chegando a solicitar até mesmo um aumento
no valor cobrado da propina. Foram essas informações que levaram a Fifa a o
afastar do futebol de forma temporária, enquanto o caso é investigado.
Mas, para os
advogados de Marin, não existe prova de que um pagamento tenha sido retribuído
com os contratos. Portanto, a relação criminosa não seria estabelecida.
Outro argumento
usado por Marin se refere ao uso de provas. De acordo com seus advogados,
documentos do empresário Kleber Leite, apontando como um dos supostos
responsáveis pelas propinas, foram usados de forma ilegal. Nos dias seguintes à
prisões na Fifa, em maio de 2015, a Polícia Federal realizou uma operação nos
escritório de Leite, no Rio de Janeiro. Poucos meses depois, uma juíza carioca
decidiu que o Brasil não poderia cooperar com a Justiça americana, numa
sentença que passou a ser questionada pela Procuradoria-Geral da República.
Com 85 anos, o
brasileiro aguarda o dia 4 de abril para saber sua sentença definitiva.
Enquanto isso, está numa prisão do
Brooklyn. Marin não foi o único a pedir uma anulação de seu julgamento.
Os advogados de Juan Napout, ex-presidente da Conmebol, também apresentaram o
mesmo pedido, depois que seu cliente fora também condenado no mesmo processo
que envolvia o brasileiro.
No caso de
Napout, seu argumento principal é de que a principal testemunha do caso – o
empresário argentino Alejandro Burzaco, mentiu. Durante as audiências entre
novembro e dezembro, o executivo indicou que esteve em outubro de 2014 no
Paraguai, justamente para negociar a suposta propina com Napout e Del Nero.
A trajetória de
José Maria Marin: Marin foi jogador profissional durante cinco anos antes de ir
para a política, onde se filiou ao partido Arena e atuou do regime militar
Marin foi
jogador profissional durante cinco anos antes de ir para a política, onde se
filiou ao partido Arena e atuou do regime militar
Para tentar
provar isso, os advogados apresentaram documentos do voo e da imigração citado
pelo executivo. Mas, na ficha das autoridades aeroportuárias, Burzaco não
apareceria como um dos viajantes num avião que, de fato, levava vários cartolas
argentinos para Assunção. Ele aparece apenas em uma declaração da imigração
paraguaia, apontando sua entrada no país uma só vez em 2014. Mas apenas no mês
de dezembro.
A juíza do
caso, Pamela Chen, já havia alertado em dezembro que não iria considerar as
teses de um novo julgamento com base nos argumentos de Napout. Mas se ficar
provado que Burzaco mentiu, seu testemunho seria anulado e o processo poderia
ganhar novos contornos. O executivo, porém, perderia todos os benefícios que
negociou em uma delação premiada com a Justiça americana.

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