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| Réu da Lava Jato, o petista será julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) no próximo dia 24, em Porto Alegre, no caso do triplex do Guarujá. |
RIO - Diante de
uma plateia de cerca de mil apoiadores, majoritariamente da área da cultura, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu na noite desta terça-feira, 16,
no Rio, que a Justiça Federal em Porto Alegre fez "leitura dinâmica"
da sentença do juiz Sérgio Moro, que o condenou no processo do triplex do
Guarujá (SP).
"Não posso
falar dos juízes de Porto Alegre, não conheço. Mas acho estranho que tenham
dito que a sentença do Moro é irretocável, sem ler. Leram não-sei-quantas mil
páginas em poucos dias. Mas tem a leitura dinâmica", ironizou o
ex-presidente, em evento “em defesa da democracia e de Lula” realizado no
Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, zona sul do Rio. Antes, na porta do teatro,
foi realizado um pequeno mas ruidoso protesto que pedia “Lula na cadeia já”.
Lula afirmou
ainda que seus opositores "querem transformar o Brasil no Caldeirão
do Huck", numa referência ao apresentador da TV Globo Luciano Huck,
aventado como possível candidato à presidência, o que o próprio já descartou.
Réu da Lava
Jato, o petista será julgado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região
(TRF-4) no próximo dia 24, em Porto Alegre, no caso do triplex do Guarujá.
Segundo a força-tarefa da Lava Jato, o apartamento teve reforma paga pela
empreiteira OAS, que recebeu em troca vantagens indevidas. O ex-presidente nega
que o imóvel seja dele.
Lula já foi
sentenciado pelo juiz federal Sérgio Moro por corrupção passiva e lavagem de
dinheiro a 9 anos e 6 meses de prisão neste processo. Caso seja condenado
também na segunda instância, poderá ficar inelegível e concorrer à Presidência
nas eleições de outubro, por conta da Lei da Ficha Limpa.
No evento, o
ex-presidente voltou a criticar Moro: "Juízes com o comportamento dele
deveriam ser exonerados."
Artistas. Acompanharam
Lula no palco do Casa Grande a cantora Beth Carvalho, o humorista Gregorio
Duvivier, o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, os diretores de teatro
Aderbal Freire-Filho e Amir Haddad e os atores Dira Paes, Chico Diaz, Herson
Capri, Cristina Pereira, Bete Mendes, Antonio Pitanga e Osmar Prado, entre
outros. Também esteve presente o coordenador do Movimento dos Sem Teto,
Guilherme Boulos, cotado como possível opositor de Lula na corrida
presidencial, numa chapa do PSOL. O compositor Chico Buarque ajudou na
mobilização, mas não compareceu.
Cristina
Pereira foi hostilizada pelos manifestantes anti-Lula na chegada ao Casa
Grande. Eram dez pessoas, que provocavam os apoiadores de Lula na calçada
oposta à do teatro, gritando alto insultos a ele. O grupo pedia intervenção
militar no País e trazia bandeiras nacionais.
Osmar Prado,
que chegou pouco antes, os ignorou. “Quem tem medo de Luiz Inácio Lula da
Silva? Os candidatos que não têm condições de derrotá-lo na urna. Em todas as
pesquisas ele está na frente. Lula teve dois mandatos e diminuiu a distância
entre a casa grande e a senzala. Isso fica gravado na memória do povo”, disse o
ator.
Gregorio
Duvivier fez piada do protesto na porta do teatro. “Ficou muito claro que a
indignação deles é classista, eles não saem de casa há um ano”, disse, sobre
organizações como o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre. “Fico muito feliz
de ver tanta gente de vermelho no Leblon”, continuou, referindo-se ao fato de o
ato ser no bairro mais caro do Rio. Também no palco, o ex-ministro das Relações
Exteriores Celso Amorim, que vem acompanhando Lula em atos públicos, foi
saudado com gritos da plateia de “eô eô, Amorim governador (do Rio)”.
Manifesto. Em
dezembro do ano passado, um grupo de artistas, intelectuais e representantes de
movimentos sociais, integrado por Chico Buarque, os escritores Raduan Nassar e
Milton Hatoum e o teólogo Leonardo Boff, entre outros, publicaram um manifesto
contra “a perseguição a Lula”, divulgado no Brasil e no exterior (foi traduzido
para sete idiomas) e intitulado “Eleição sem Lula é fraude”. O texto pede
garantia à sua candidatura.
Este mês,
diante da iminência do julgamento de Lula o TRF-4, dois possíveis
candidatos à Presidência e seus adversários, Boulos e a deputada estadual
gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB) saíram em defesa do direito do petista de
concorrer. No encontro desta terça-feira, Boulos disse que compareceu por
“estar do lado da democracia” e que irá a Porto Alegre para apoiar Lula no
julgamento no TRF-4. “Contra (o presidente Michel) Temer tem prova de
sobra, contra Lula o que tem é perseguição deslavada. Ninguém no Brasil pode
admitir isso de forma natural. Para defender Lula não é precisa estar 100%
sintonizado com seu partido, basta defender a Constituição Brasileira.”
Desde o ano
passado, Lula se engajou em caravanas pelo Nordeste e o Sudeste do Brasil, nas
quais discursou sobre seu desejo de voltar ao Planalto, exaltou conquistas de
seus dois governos e se defendeu das acusações da Lava Jato. A última parada
foi no Rio, por onde passou em dezembro. O petista falou a populares e
apoiadores em comícios de lotação média.
Estadão

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