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© Foto:
Cassiano Rosário/Futura Press Sérgio Cabral
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O policial
federal Jorge Chastalo Filho, chefe da escolta que conduziu Sérgio Cabral (MDB) na semana
passada ao Instituto Médico Legal de Curitiba e ao Complexo Médico-Penal de
Pinhais, informou à Polícia Federal que o uso de algemas no ex-governador do Rio foi 'necessário e
coerente'. As informações do policial foram dadas ao juiz federal Sérgio Moro,
que havia cobrado explicações nesta
segunda-feira, 22.
Sérgio Cabral,
condenado a 87 anos de prisão em processos da Operação Lava Jato, foi
transferido do Rio para Curitiba na quinta-feira, 18. No dia seguinte, o
ex-governador foi levado ao Instituto Médico-Legal da capital paranaense com
algemas nas mãos e nos pés.
A transferência
do emedebista para Curitiba foi decretada simultaneamente pela Justiça Federal
no Rio e em Curitiba porque os investigadores descobriram que Cabral estava
recebendo regalias na Cadeia Pública de Benfica - zona Norte do Rio.
Segundo o chefe
da escolta, uma equipe de policiais havia informado naquele dia que, no IML,
'havia grande número de pessoas entre profissionais da imprensa, funcionários,
outros presos e populares' e, por isso, havia 'necessidade de atenção máxima'.
"Foram
realizados os procedimentos cautelares necessários, corriqueiros e previamente
estabelecidos por este Núcleo de Operações para condução de preso condenado
quando o destino da escolta é local em que não temos o controle de acesso de
outras pessoas", relatou o policial.
Jorge Chastalo
Filho narrou que 'foram utilizadas cinto de contenção e marca passo'.
O objetivo, de
acordo com o policial, era 'evitar que o preso pudesse adotar qualquer atitude
que viesse a prejudicar a sua própria segurança, de terceiros e da equipe
policial, uma vez que nem a equipe nem qualquer pessoa pode dizer com segurança
qual o estado emocional do preso no momento de ser conduzido'.
"Este
recurso foi necessário e coerente com a situação que se apresentava pois como
dito anteriormente, no local haviam outros presos de outra unidade prisional
sendo escoltados, vários repórteres e fotógrafos que fizeram inclusive,
perguntas que poderiam facilmente desencadear em agressão como 'por que o
senhor roubou tanto?' ou 'O senhor vai devolver o dinheiro ao Rio de
Janeiro?'", relatou.
O policial afirmou
que nestes casos é 'necessária e fundamental' a 'redução da mobilidade do
preso'.
O chefe da
escolta argumentou que o cinto de contenção e marca passo possibilitam ao
policial ter 'total controle dos movimentos do conduzido, evitando que este
agrida alguém ou seja agredido, tendo ainda, a possibilidade de retirar o preso
do local com facilidade sem sofrer resistência deste ou de terceiros'.
"Não é
possível admitir que o conduzido, diante de uma situação de estresse como uma
pedra lançada, rojão, provocação de popular, tiro ou ameaça, tenha
possibilidade de escolher entre ficar parado, correr, caminhar, se abaixar,
reagir de qualquer maneira não prevista pela equipe de escolta", alegou.
"Não é
excesso salientar que este Núcleo de Operações não procura humilhar qualquer
preso ou agir de forma abusiva. Pautamos nossa atuação em dados técnicos
visando sempre a segurança do preso, da equipe e de terceiros."
O chefe da
escolta destacou ainda. "Mantivemos com o conduzido em questão o mesmo
tratamento dispensado para outros em situação semelhante, não fazendo distinção
entre custodiados tendo em vista seu poder econômico ou status social",
anotou.
"A
sensação de mal-estar diante da condução é absolutamente incontornável,
ensejando, por vezes, críticas e inconformismo. Mas não há outra forma de
atuar, sem causar prejuízo aos critérios mínimos de segurança."
Rio. A
Força-Tarefa da Lava Jato do Rio também encaminhou aos procuradores do
Ministério Público Federal no Paraná (MPF) ofício em que requer que apurem o
uso de as algemas e correntes na condução do ex-governador do Rio, Sérgio
Cabral Filho (MDB), ao Instituto Médico-Legal em Curitiba na semana passada. No
documento, assinado por dez procuradores do Rio, eles ressaltam não ser Cabral
um preso "com histórico de violência física".
O oficio foi
enviado pelo MPF do Rio ao Grupo de Controle Externo do MPF no Paraná, na tarde
desta segunda-feira, 22.
"Durante o
processo de transferência foram televisionadas imagens em que o preso chegou ao
Instituto Médico-Legal no Paraná com algemas nas mãos e pernas, embora não se
trate de preso com histórico de violência física. Faz-se necessário, portanto,
obter informações junto à Superintendência da Polícia Federal no Paraná acerca
do protocolo adotado para movimentação de presos e especificamente acerca da
transferência em questão", diz o ofício.

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