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© Daniel
Teixeira/Estadão Alckmin, Temer e o
ministro da
Fazenda Henrique Meirelles
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BRASÍLIA - O
presidente Michel Temer começou a traçar neste domingo, 3, a estratégia
política para unir o chamado “centro” nas eleições de 2018. Em almoço com
ministros e dirigentes de partidos aliados, no Palácio da Alvorada, Temer
iniciou as negociações para organizar a candidatura à sua sucessão e disse que
apoiará quem estiver disposto a defender o seu “legado”.
Até agora,
líderes da coalizão governista trabalham com duas possibilidades: o respaldo à
possível candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), ou do
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao Palácio do Planalto. Há
também os que defendem uma campanha de Temer à reeleição, dependendo do
cenário.
Alckmin seria o
preferido, mas, ao que tudo indica, o aval ao nome dele dependerá muito mais de
suas atitudes daqui para a frente. O governo não quer que tucanos saiam da equipe
como se fossem adversários de Temer e exige o apoio do PSDB à reforma da
Previdência.
“Nós fizemos
uma avaliação do quadro político com o objetivo de começar a definir os
caminhos para 2018”, afirmou ao Estado o ministro da Secretaria-Geral da
Presidência, Moreira Franco, que participou da conversa no Alvorada, onde
também estava o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Se ontem o
diálogo foi de silenciosos, hoje foi uma conversa de quem domina a língua
portuguesa”, completou o ministro, em uma referência à frase usada por ele, no
dia anterior, para definir a falta de prosa entre Temer e Alckmin.
Na avaliação de
Moreira, embora os partidos da coalizão já estejam se articulando para formar
uma ampla frente em 2018, que vá além da “massa parlamentar” para garantir
estabilidade ao governo, o momento ainda não é de ungir o candidato.
“A aliança para o ano que vem vai se dar em
termos de compromissos e metas a serem alcançados do ponto de vista social, do
ambiente de negócios e do esforço de equilíbrio fiscal para que haja cada vez
mais investimentos e geração de empregos”, argumentou o ministro. “Temos
consciência de que, embora a situação econômica tenha melhorado muito, ainda
precisa se consolidar.”
O PMDB avalia
se lançará candidatura própria ou apoiará algum concorrente da base aliada. “A
ideia é construirmos um compromisso conjunto com esses pressupostos da
estabilidade”, insistiu Moreira.
É nesse páreo
que aparecem, por enquanto, Meirelles e Alckmin. Um protagonista muito
importante - que pode atuar tanto como fiador quanto candidato em alguma chapa
governista ao Planalto - é Rodrigo Maia. Nos bastidores, Maia tem feito
movimentos na direção de Meirelles.
Não por acaso,
Temer chamou o ministro da Fazenda para participar neste sábado, ao lado dele e
do governador, da entrega de moradias do programa Minha Casa Minha Vida, em
Limeira (SP) e em Americana (SP). Quis dar um sinal a Alckmin de que o PMDB
pode muito bem ir de Meirelles, caso o PSDB lhe dê as costas.
Temer e Alckmin
iriam conversar após a agenda popular deste sábado, mas isso não ocorreu. A
convenção do PSDB que elegerá o governador, por aclamação, para presidir o
partido será realizada no próximo dia 9, em Brasília. É também nesse dia que a
sigla deve bater o martelo sobre o desembarque da equipe de Temer.
Com a ameaça de
rompimento dos tucanos e a melhoria de indicadores econômicos, dirigentes do
PMDB voltaram a discutir a possibilidade de uma candidatura do presidente a um
segundo mandato.
O plano havia
sido aposentado após as delações da JBS e ainda é visto como “loucura” por
muitos aliados, diante da baixíssima popularidade de Temer, mas a avaliação no
Planalto é a de que o quadro pode mudar em meados do ano que vem, quando se
estima que a população sentirá “no bolso” o impacto positivo das medidas de
ajuste. Além disso, auxiliares do presidente lembram que pesquisas de intenção
de voto também mostram Meirelles oscilando entre 1% e 2% de aprovação, um
índice ainda menor do que o de Temer.

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