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Segundo os organizadores, a condição mínima para votar
é que o eleitor seja maior de 16 anos e morador de
um dos três Estados. © Foto:
Divulgação
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Diante da
repercussão do plebiscito catalão (a votação pela independência da Catalunha em
relação à Espanha venceu no dia 1.º de outubro), o movimento Sul é o Meu País
vai promover neste sábado, 7, uma consulta popular com a pergunta: “Você quer
que Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul formem um país independente?”.
Com mais de 30
mil voluntários e 3.043 urnas disponíveis, os organizadores sonham com a
participação de mais de 1 milhão de votantes assinalando a opção “sim”. “Se,
assim como ocorreu na Espanha, o governo central quiser pelear, nós também vamos
pelear pelo nosso direito”, disse o coordenador do movimento, o jornalista
Celso Deucher.
Apesar da
disposição de pelear, nenhuma repressão ao plebiscito é esperada. De fato, o
resultado favorável à separação não terá nenhuma consequência prática. “Trata-se
de uma votação simbólica, mas que vai servir como coleta de assinaturas para
pressionar o Congresso para, em 2018, aprovar um plebiscito oficial, que deve
ser realizado com a eleição presidencial”, afirmou Deucher.
Segundo os
organizadores, a condição mínima para votar é que o eleitor seja maior de 16
anos e morador de um dos três Estados. Ainda segundo a organização, o custo do
plebiscito ficou em torno de R$ 25 mil, dinheiro que teria sido arrecadado
pelos próprios colaboradores do grupo.
Deucher nega
que o movimento tenha como base o preconceito em relação às outras regiões do
País, mas deixa escapar pensamentos como: “Estamos cansados de trabalhar aqui
embaixo enquanto os de cima aproveitam do banquete”.
Ainda não
existe uma definição de como seria a República Sul Brasileira – esse é um nome
fantasia usado por alguns membros do Sul é o Meu País. Existe ainda uma ideia
rudimentar de batizar a própria moeda de “pila” – nome que, segundo Deucher,
seria popular na região.
O grupo quer
que o resultado do plebiscito crie uma pressão popular, mas não deseja conflito
com o país chamado Brasil. “Nossas relações precisam ser de parceria e
cooperação”, disse Deucher, que descarta qualquer impedimento de brasileiros
nativos de outros Estados adentrem ao território sulista no futuro. “Não
pensamos nas coisas de passaporte, por exemplo.”
Os separatistas
ainda não encontram uma forma de equacionar a questão dos sulistas aposentados
pelo “país vizinho”. Será que o governo brasileiro seria o responsável por
pagar essas aposentadorias? Não se sabe. Como proposta, Deucher diz que o novo
país pode ter vereadores não remunerados e a possibilidade do advento de
prefeitos contratados – que poderiam ser despedidos ao primeiro sinal de
fraqueza.
Para o
cientista político Rodrigo Augusto Prando, professor da Universidade
Presbiteriana Mackenzie, esse tipo de movimento nasce “da nossa dificuldade de
realizar uma reforma política e tributária”. “A sensação de que alguns Estados
são prejudicados pela União cria esse tipo de movimento, que mesmo
inconstitucional, tende a crescer e se espalhar por várias regiões.”

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