Os vencedores
do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2017 são os americanos Jeffrey
Hall, Michael Rosbash e Michael Young, por suas descobertas sobre os mecanismos
moleculares que controlam os ritmos circadianos - uma espécie de relógio
biológico interno que regula o metabolismo dos seres vivos possuem. As
descobertas feitas pelo trio explicam como as plantas, animais e humanos adaptam
seus ritmos biológicos de maneira que eles fiquem sincronizados com a rotação
da Terra.
O anúncio foi
feito nesta segunda-feira, 2, pela organização que concede o prêmio, o
Instituto Karolinska, na Suécia. Os três laureados nasceram e trabalham nos
Estados Unidos. Hall nasceu em Nova York em 1945 e é professor da Universidade
do Maine. Rosbach nasceu em Kansas City em 1944 e é professor da Universidade
Brandeis. Young nasceu em 1949, em Miami, e atua na Universidade Rockefeller,
em Nova York.
O Instituto
Karolinska anunciou em setembro um reajuste de 12% no valor dos prêmios Nobel,
que permanecia o mesmo desde 2012: 8 milhões de cooras suecas, o equivalente a
cerca de US$ 981 mil, ou R$ 3,1 milhões. Os vencedores de 2017 receberão 9
milhões de coroas, o que significa US$ 1,1 milhão, ou cerca de R$ 3,5 milhões.
Cada um dos vencedores do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina receberá um
terço do prêmio.
A premiação foi
divulgada em Estocolmo por volta das 11h30 (6h30 na hora de Brasília). Rosbash
recebeu a notícia sobre o prêmio às 5 horas da manhã, no horário da Califórnia,
de acordo com a agência de notícias sueca TT. "Ainda estou chocado. Estou
aqui sentado de pijamas com a minha mulher. Eu não tinha nem pensado sobre
isso. Não falei com meus colegas ainda. Não tive tempo nem de tomar uma xícara
de café", afirmou Rosbach, provavelmente com seu relógio biológico ainda
afetado pelo telefonema matutino.
Ritmos da
vida. O relógio biológico está envolvido com diversos aspectos da
complexa fisiologia dos seres vivos. Todos os organismos multicelulares,
incluindo os humanos, utilizam esse tipo de mecanismo para controlar os ritmos
circadianos. Uma grande proporção dos genes humanos é regulada pelo relógio
biológico e, consequentemente, um ritmo circadiano cuidadosamente calibrado
adapta nossa fisiologia a diferentes fases do dia.
"Desde as
descobertas seminais dos três laureados, a biologia circadiana se desenvolveu
em um vasto e altamente dinâmico campo de pesquisas, com complicações para
nossa saúde e bem estar", disse o comitê do Nobel. Com precisão
impressionante, o relógio interno adapta a fisiologia das pessoas às fases
radicalmente diferentes do dia. O relógio regula funcões fundamentais como o
comportamento, os níveis de hormônios, o sono, a temperatura corporal e o
metabolismo.
Gene e
proteínas. Utilizando moscas de fruta como organismo modelo, os ganhadores
do Nobel isolaram um gene único que controla o ritmo diário normal do
organismo. De acordo com o comitê do Nobel, eles mostraram que esse gene codifica
uma proteína que se acumula nas células durante a noite e depois é degradada
durante o dia.
Mais tarde,
eles identificaram mais componentes de proteínas envolvidos com esse circuito,
expondo o mecanismo que regula o relógio auto-sustentável que existe no
interior de cada célula. Com isso foi possível reconhecer que os relógios
biológicos funcionam pelos mesmos princípios nas células de todos os organismos
multicelulares, incluindo os humanos.
O bem estar
humano é afetado quando há um descompasso temporário entre o ambiente externo e
esse relógio biológico interno. Um bom exemplo é o "jet lag", o mal
estar causado por uma viagem, quando uma pessoa cruza de avião vários fusos
horários. Há também indicações de que um desalinhamento entre o estilo de vida
e o ritmo ditado pelo relógio interno está associado ao aumento de risco para
várias doenças.
Outros
prêmios. Em 2016, o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina foi concedido ao
japonês Yoshinori Ohsumi, por suas descobertas sobre os mecanismos de
autofagia, que é um dos processos de degradação e reciclagem dos componentes
danificados das células.
Em 2015, o
irlandês William C. Campbell, o japonês Satoshi Omura e a chinesa Youyou Tu,
premiados na área de Medicina ou Fisiologia em 2015 por suas descobertas relacionadas
a infecções causadas por parasitas e por seus novos tratamentos contra doenças
parasitárias.
Entre 1901 e
1917, foram realizadas 108 edições do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina.
No total, 39 foram concedidos a um só laureado e 12 foram concedidos a
mulheres. O mais jovem laureado em Medicina foi Frederick Banting, que recebeu
o prêmio em 1923 pela descoberta da insulina. O mais idoso vencedor foi Peyton
Rous, que recebeu o prêmio aos 87 anos, em 1966, por sua descoberta dos vírus
que induzem a tumores.
O prêmio de
Fisiologia ou Medicina é o primeiro da temporada do Nobel 2017. Nesta
terça-feira, 3, será anunciado o vencedor do prêmio de Física e, na
quarta-feira, 4, o de Química. O prêmio Nobel da Paz será anunciado na
sexta-feira, 6 e o das Ciências Econômicas na segunda-feira, 9. A data para o
Prêmio Nobel da Literatura ainda não foi divulgada.

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!