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Refugiados
atravessam a fronteira entre Mianmar e
Bangladesh (Foto: REUTERS/Mohammad
Ponir Hossain)
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Governo de Mianmar não permitiu
entrada de missão internacional que iria avaliar violência que teria sido
cometida por integrantes do exército contra a minoria muçulmana rohingya.
O Alto Comissário das Nações
Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, afirmou nesta
segunda-feira (11) que o tratamento que Mianmar reserva à minoria muçulmana
rohingya se assemelha a um "exemplo de livro de limpeza étnica".
O Conselho de Direitos Humanos da
ONU criou em 24 de março uma missão internacional independente para investigar
a violência que teria sido cometida por integrantes do exército contra a
minoria muçulmana rohingya, mas Mianmar não autorizou a viagem dos
especialistas à região.
"Como Mianmar rejeitou o
acesso aos investigadores de direitos humanos, a situação atual não pode ser
completamente avaliada, mas a situação parece ser um exemplo de livro didático
de limpeza étnica", declarou na abertura da 36ª sessão do Conselho de Direitos
Humanos da ONU em Genebra.
Os rohingyas, tratados como
estrangeiros em Mianmar, país onde mais de 90% da população se declara budista,
são considerados apátridas, apesar da presença de algumas famílias há várias
gerações no país.
Os ataques violentos dos
rebeldes rohingyas contra postos policiais no fim de agosto provocaram
uma nova onda de repressão do exército birmanês.
"Esta operação (...) é
claramente desproporcional e não leva em consideração os princípios
fundamentais do direito internacional", afirmou o Alto Comissário.
"Recebemos múltiplas
informações e imagens de satélite que mostram as forças de segurança e as
milícias locais incendiando vilarejos rohingyas, assim como informações
coerentes que citam execuções extrajudiciais, incluindo tiros contra civis em
fuga", completou.
De acordo com os dados mais
recentes da ONU, 313.000 rohingyas se refugiaram na vizinha Bangladesh.
Milhares de pessoas estariam
escondidas em florestas ou nas colinas do lado birmanês, sem mantimentos nem
água.
Por France Presse

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