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| O pagamento, segundo Joesley, se dava por meio do escritório de advocacia de Marco Aurélio Carvalho, "que emitia mensalmente notas de R$ 70 mil ou R$ 80 mil para contratos fictícios". |
Contrato,
segundo o empresário, era intermediado por advogado Marco Aurélio Carvalho;
tanto o ex-ministro quanto o advogado negam
O empresário
Joesley Batista, um dos donos da J&F, afirmou em depoimento
ao Ministério Público Federal que mantinha um contrato fictício de
prestação de serviços para manter boa relação com o ex-ministro da Justiça José
Eduardo Cardozo.
O pagamento,
segundo Joesley, se dava por meio do escritório de advocacia de Marco Aurélio
Carvalho, "que emitia mensalmente notas de R$ 70 mil ou R$ 80 mil para
contratos fictícios". Sem dar detalhes, o empresário afirmou que parte
desse dinheiro iria para Cardozo. Tanto o
ex-ministro quanto Carvalho negam.
O empresário
menciona ainda um jantar na sua casa com Cardozo e Carvalho --Joesley disse ter
gravado o encontro. Ele afirmou que a conversa com Cardozo "envolveu a
Lava Jato", mas não tinha nada de errado, segundo ele, que queria saber
como estava andando a operação a fim de saber se tinha solução para ele fora da
colaboração.
"É com
surpresa e indignação, ainda, que tomo conhecimento, pela imprensa, de que o
Sr. Joesley afirmou que teria celebrado um contrato ‘fictício’ com o advogado
Marco Aurélio Carvalho, do qual nunca fui sócio até o presente ano, e que este
advogado teria ainda dito que uma parte do dinheiro me seria enviada",
disse Cardozo, em nota.
Carvalho afirma
não ter havido "atribuição de qualquer conduta ilícita ou até mesmo
inadequada". Creio que trata-se de engano que será facilmente esclarecido.
Houve e há farta prestação de serviços na área tributária e consultiva em
relação ao contrato que celebrei com a empresa através de minha antiga pessoa
jurídica, da qual nenhum de meus sócios atuais faz parte", disse Marco
Aurélio Carvalho. Toda a prestação contou com emissão de notas fiscais e
recolhimento de tributos.
Acrescentou,
ainda: "Nunca, em nenhum momento, houve associação, na contratação da
minha antiga sociedade, com o ex-ministro José Eduardo. Nem da minha parte e
nem da deles. A afirmação leviana e mentirosa deve ter consequências".
Joesley está
preso em Brasília. Ele prestou depoimento na última quinta (7) à Procuradoria.
O acordo de delação dele e de outros executivos da J&F, entre os quais
Ricardo Saud, está em processo de revisão, o
que pode levar à rescisão. Como o MPF decidiu apurar se eles omitiram
informações, os benefícios foram temporariamente
suspensos.
Íntegra
Leia abaixo a
íntegra da nota de José Eduardo Cardozo:
Relativamente
às declarações do Sr. Joesley Batista e Ricardo Saud divulgadas no dia de hoje,
tenho a esclarecer que:
1. Em março
desse ano (oito meses após ter deixado o governo federal), meu escritório de
advocacia foi procurado pele empresa JB&S com o objetivo de contratar
serviços profissionais. Por esta razão, compareci em um jantar, acompanhado do
meu atual sócio Marco Aurélio Carvalho (que já havia advogado no passado para a
empresa), na casa de Joesley Batista, na condição de advogados, para
conversarmos sobre uma eventual contratação. Nesse jantar também estava
presente o Sr. Ricardo Saud.
2. Embora em
relação às conversas mantidas ao longo daquele jantar, eu esteja submetido a
sigilo profissional, posso afirmar que não envolveram, em absoluto, qualquer
ato ilícito. Afirmo também, peremptoriamente, que jamais disse, nessa
oportunidade, ou em qualquer outra, que como advogado teria facilidade de obter
sentenças favoráveis a quaisquer dos meus clientes no STF.
3. Com
indignação soube, pela imprensa, que áudios atribuídos a delatores relatavam o
fato de que a tentativa da minha contratação não passaria de ser uma possível
“armadilha”, com o objetivo de me trazer constrangimentos, e de se buscar
atingir a honorabilidade de Ministros da nossa Suprema Corte.
4. No que
diz respeito a anterior contrato de prestação de serviços mantido, no passado,
pelo meu atual sócio, Dr. Marco Aurélio Carvalho, observo que este se referia a
outro escritório de advocacia, distinto do atual que integro hoje, com
composição societária completamente diversa.
5. É com
surpresa e indignação, ainda, que tomo conhecimento, pela imprensa, de que o Sr.
Joesley afirmou que teria celebrado um contrato “fictício” com o advogado Marco
Aurélio Carvalho, do qual nunca fui sócio até o presente ano, e que este
advogado teria ainda dito que uma parte do dinheiro me seria enviada. A
respeito esclareço que:
a) esta
afirmação contraria claramente o depoimento gravado que o Sr. Ricardo Saud
prestou à PGR (termo 32 e anexo 38 do acordo de delação), onde ele não só não
afirma isso, mas como também deixa claro a minha total ausência de envolvimento
com esse contrato ou com qualquer situação dele decorrente;
b) nunca, na
condição de Ministro da Justiça tomei qualquer decisão, pratiquei ou deixei de
fazer qualquer ato em atendimento a pleitos da JB&S, nem recebi qualquer
pleito da empresa pelo advogado Marco Aurélio Carvalho (aliás, o próprio
depoente afirma isso no acordo de delação – termo 32 -anexo 38)
c) segundo
me foi demonstrado após o acordo de delação, o referido contrato nunca foi
fictício, tendo como contraprestação serviços de advocacia regularmente
prestados, não existindo qualquer razão, portanto, para que se dê a menor
credibilidade às palavras do Sr. Joesley, nesse caso, em relação à referência
indevida que faz ao Dr. Marco Aurélio Carvalho, pessoa em quem deposito plena
confiança pessoal.
Leia abaixo o
posicionamento de Marco Aurélio Carvalho:
Não houve, e
nem poderia haver, atribuição de qualquer conduta ilícita ou até mesmo
inadequada. Creio que trata-se de engano que será facilmente esclarecido. Houve
e há farta prestação de serviços na área tributária e Consultiva em relação ao
contrato que celebrei com a empresa através de minha antiga pessoa jurídica, da
qual nenhum de meus sócios atuais faz parte.
Com emissão
de notas fiscais e recolhimento de tributos.
No mais, as
despesas ressarcidas, bem como a existência de novas ações judiciais em curso,
comprovam a inequívoca prestação de serviços e a lisura da Contratação, bem
como a confiança em minhas qualidades éticas e técnicas. A empresa é muito
grande, fato pelo qual talvez o engano se justifique....
De toda
sorte, sigo à disposição para todo e qualquer esclarecimento.
Por fim,
fomos convidados para o referido jantar, e embora estejamos sob sigilo
profissional, posso afirmar que não houve, na referida conversa e em nenhuma
outra com os então potenciais clientes nada de ilícito ou irregular.
Como se
sabe, a contratação não ocorreu.
As
informações dadas pelo depoente no anexo 38 da sua delação original são
contraditórias com as agora oferecidas... O que merece reflexão.
Nunca, em
nenhum momento, houve associação, na contratação da minha antiga sociedade, com
o ex-ministro José Eduardo. Nem da minha parte e nem da deles. A afirmação
leviana e mentirosa deve ter consequências.
Por G1

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