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Delegado
Fernando Reis, em evento na Alerj: ele foi condenado
a 97 anos de prisão, mas só agora foi demitido
do cargo de
delegado (Foto: Fabiano
Veneza/Alerj/Divulgação)
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Fernando
Reis foi condenado a 97 anos de prisão em junho do ano passado. Ex-delegado foi
preso há mais de dois anos por participar de esquema de extorsão contra
empresários.
Mais de um ano
após ser condenado a 97 anos de prisão, e mais de dois anos após sua prisão,
Fernando Cesar Magalhães Reis foi demitido do cargo de delegado de polícia
somente agora. O decreto, assinado pelo governador Luiz Fernando Pezão, foi
publicado no Diário Oficial desta segunda-feira (25). O ex-delegado foi
condeando fazer parte de uma organização criminosa que extorquia dinheiro de
empresários desde, pelo menos, 2012.
De acordo com a
denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o
ex-delegado da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente comandava uma organização
criminosa, composta por agentes da DPMA, com a finalidade de extorquir dinheiro
de empresários.
Em 2016, ele foi condenado a 97 anos de prisão pela
Justiça, juntamente com os policiais civis José Luiz Fernandes Alves e
Conrado Zimmermann Coimbra. Na mesma decisão, foram condenados os policiais
civis Anderson Pinheiro Rios a 76 anos e 8 meses de prisão; Diogo Ferrari, a 44
anos de prisão; Rogério Rodrigues França, a 11 anos, 7 meses; Márcio André
Martins Benevides, a 20 anos de prisão. Todos foram condenados pelos crimes de
organização criminosa, extorsão, extorsão mediante sequestro e concussão.
Esquema
O grupo era
chefiado por Fernando Reis e por seu "homem de confiança", José Luiz
Fernandes Alves. O ex-delegado comandava o esquema, inicialmente, de dentro do
Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) da Polícia Civil e,
posteriormente, como delegado titular da DPMA. José Luiz era o chefe das
equipes de investigação da mesma DPMA. Os dois mantinham uma relação de
subordinação, proximidade e confiança na Polícia Civil há 19 anos, o que ajudou
na estruturação do bando e na coordenação dos agentes ora condenados.
Sob as ordens
de Fernando Reis, José Luiz era o responsável pela administração operacional da
arrecadação de propina realizada diretamente por seus comparsas, integrantes
das equipes de investigação da DPMA, intituladas Fênix. A partir de laudos
periciais, que apontavam crimes ambientais inexistentes, as vítimas eram,
então, ameaçadas de prisão em flagrante ou de instauração de investigação.
Em algumas
ocasiões, o dinheiro era arrecadado pelos policiais envolvidos no esquema de
uma só vez, o que eles chamavam "pancada", e ocorria quando uma
empresa tinha seus funcionários ameaçados de prisão, ou efetivamente presos,
cedendo à pressão para o pagamento. Em outros casos, as vítimas chegavam a ser
sequestradas ou mantidas como reféns por mais de oito horas, enquanto o preço
do resgate era negociado. Muitas vezes, os donos das empresas eram ameaçados
com armas de fogo, a fim de cederem às extorsões. No caso da
"pancada", o percentual arrecadado destinado aos chefes da
organização era de 40%, sendo que os restantes 60% eram divididos entre agentes
os que participavam das diligências. Algumas extorsões chegavam a R$ 300 mil.
De acordo com a
investigação, a atuação dos criminosos se dava sempre da mesma forma: os
membros das equipes Fênix diligenciavam na sede de alguma empresa, sob o
argumento de estarem "verificando" uma denúncia anônima sobre a
prática de crime ambiental, alegando a necessidade de uma "vistoria".
No local, os agentes criminosos constatavam alguma irregularidade ou
simplesmente apontavam, sem fundamentos técnicos razoáveis, que havia crime
ambiental. Assim, pressionavam e ameaçavam o empresário ou o responsável pelo
local a realizar os pagamentos indevidos.
Por G1 Rio

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