Greve de ônibus no Rio de Janeiro causa caos e afeta deslocamento de milhares de fluminenses | Rio das Ostras Jornal

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Greve de ônibus no Rio de Janeiro causa caos e afeta deslocamento de milhares de fluminenses

Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

A cidade do Rio de Janeiro amanheceu sob o impacto de uma greve de ônibus nesta segunda-feira, com passageiros enfrentando grandes dificuldades para chegar ao trabalho. A paralisação dos rodoviários, que começou à 0h, resultou em pontos de ônibus lotados e baixa circulação de coletivos e BRTs, apesar da determinação judicial de frota mínima. A situação na capital fluminense repercute em todo o estado, impactando a rotina de milhares de fluminenses, incluindo aqueles com conexões com a Região dos Lagos e o Norte Fluminense.

O movimento grevista, que afeta as linhas municipais e o sistema BRT, gerou transtornos imediatos, com muitos trabalhadores relatando atrasos e a necessidade de buscar rotas alternativas e mais caras. O Rio Ônibus informou que, dos 1,8 mil ônibus previstos para circular, apenas 860 estavam nas ruas nas primeiras horas da manhã, e 30 coletivos foram vandalizados.

Caos nas ruas: pontos lotados e transporte escasso

Desde as primeiras horas da manhã, pontos de ônibus e terminais da capital, como o Terminal Gentileza, registraram filas extensas e longos tempos de espera. Passageiros aguardavam por até 50 minutos por coletivos que, ao chegar, já partiam lotados. Linhas importantes como a 164 (Gentileza-Leme), 169 (Gentileza-Copacabana) e 606 (Engenho de Dentro via Méier) foram as mais afetadas, com relatos de apenas dois carros operando em rotas que normalmente teriam dez.

A fiscal de supermercado Telma da Costa, de 61 anos, moradora da Penha, exemplificou a situação ao relatar que deveria ter iniciado seu expediente às 7h, mas ainda aguardava no Terminal Gentileza após mais de 45 minutos. Ela teve que mudar completamente seu trajeto habitual, pegando um BRT até o terminal para tentar, sem sucesso imediato, chegar ao Méier. A incerteza e a frustração eram sentimentos comuns entre os que dependem do transporte público.

Reivindicações da categoria e mobilização da prefeitura

Os trabalhadores rodoviários reivindicam um piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados. Além disso, pedem aumento no vale-alimentação e a adoção da jornada de trabalho na escala 5x2. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a greve será mantida e que a categoria cumprirá a determinação judicial.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, em entrevista à TV Globo, assegurou que a prefeitura está mobilizada desde a madrugada para minimizar os impactos. Ele destacou o esforço para garantir 70% da frota do BRT em operação e a mobilização de outros modais, como trens e metrô, para absorver parte da demanda. A Mobi-Rio, responsável pelo BRT, informou que opera com 68% da frota planejada, com 278 veículos cobrindo os quatro corredores do sistema até as 7h30.

Decisão judicial e alternativas para os passageiros

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) reconheceu a legalidade da greve, mas determinou que ao menos 50% da frota de cada linha permaneça em circulação nos horários de pico. A decisão, proferida pela desembargadora Maria Helena Motta, negou o pedido do Rio Ônibus para declarar a paralisação ilegal e fixou multa de R$ 50 mil para ambos os sindicatos caso o percentual mínimo não seja cumprido.

Para tentar amenizar o problema, a TrensRJ e o MetrôRio reforçaram suas operações. A TrensRJ anunciou viagens extras em todos os ramais pela manhã e por volta do meio-dia, com intervalos reduzidos. O MetrôRio também ampliou a oferta de composições. Essas alternativas, no entanto, não foram suficientes para absorver toda a demanda, gerando superlotação e atrasos também nesses modais.

Relatos de quem sofre com a paralisação

As redes sociais foram palco de inúmeros relatos de passageiros. Um usuário expressou: "Nenhum um ônibus rodando. Até o @BRTMobiRio que disseram que estaria rodando 50% da frota, até agora só passou dois carros de Madureira carro 35 para Alvorada desde as 04:00 na Estação Praça Seca. Só o Caxias intermunicipal rodando". Outra passageira lamentou: "Eu me arrumei toda, sai de casa e mesmo assim não consegui ir por causa da greve dos onibus do rio... To super a favor dos motoristas, a causa é super justa, mas vou levar falta".

Na Avenida Presidente Vargas, o segurança Antônio Benedito, de 65 anos, aguardava há 25 minutos pelo ônibus da linha 472 (Triagem—Leme) após uma jornada de trabalho noturna. Ele considerava fazer um trajeto mais longo, utilizando três conduções, caso o ônibus não aparecesse. O carregador do Ceasa Angelo Moreno, de 45 anos, também enfrentava dificuldades, aguardando há mais de 30 minutos pelo ônibus da linha 362 (Honório Gurgel—Castelo) e já ciente de que chegaria atrasado ao trabalho. A situação reflete a dura realidade de quem depende do transporte público no estado do Rio de Janeiro.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e os desdobramentos da greve que afeta a mobilidade na capital e impacta a vida dos fluminenses.

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