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Geddel Vieira Lima perde direito a prisão
domiciliar e volta para prisão
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Suspeito de
obstrução de Justiça, ex-ministro cumpria prisão domiciliar em Salvador desde
julho. PF pediu nova preventiva para evitar destruição de provas, e MPF
endossou a solicitação.
O ex-ministro
Geddel Vieira Lima, do PMDB, foi preso preventivamente (sem prazo determinado)
na manhã desta sexta-feira (8), em Salvador, três dias após a Polícia Federal (PF) apreender R$ 51 milhões em um imóvel supostamente
utilizado pelo peemedebista.
A prisão foi
determinada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de
Brasília, em uma nova fase da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na Caixa
Econômica Federal.
O pedido de
prisão foi apresentado pela PF e, posteriormente, acabou endossado pelo
Ministério Público Federal (MPF). O argumento dos investigadores para solicitar
que o ex-ministro retorne para a cadeia é o eventual risco de "destruição
de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos".
A assessoria do
MPF informou ainda que a nova fase da Cui Bono busca apreender provas de crimes
como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Além de Geddel,
a PF cumpre mandado de prisão preventiva contra o diretor-geral da Defesa Civil
de Salvador, Gustavo Ferraz – que, segundo as investigações, é ligado ao
ex-ministro. O juiz federal de Brasília também expediu outros três mandados de
busca e apreensão, todos na capital baiana.
O G1 tentou
contato com a defesa de Geddel, mas até a última atualização desta reportagem
não havia obtido resposta.
O G1 também
tentou ligar para o celular de Gustavo Ferraz, mas estava desligado. A
assessoria da prefeitura de Salvador não se manifestou sobre a prisão do
diretor da Defesa Civil.
Prisão em
Salvador
Sete agentes e
dois carros da PF entraram no condomínio em que Geddel mora com a família, em
Salvador, às 6h desta sexta-feira. Segundo a TV Bahia (afiliada da Rede Globo),
um vendedor ambulante, que estava na região, foi levado para dentro do
condomínio, possivelmente para servir de testemunha.
Geddel deixou o
prédio pouco depois das 7h, no banco de trás de uma viatura da PF. Cerca de meia
hora depois, o comboio policial chegou ao aeroporto Luiz Eduardo Magalhães. O
ex-ministro será conduzido para Brasília (veja no vídeo acima o momento em
que Geddel deixa o prédio).
Ex-articulador
político do presidente Michel Temer, Geddel já tinha sido preso preventivamente
pela Polícia Federal, em julho, mas recebeu autorização do desembargador Ney
Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), para cumprir prisão domiciliar.
Embora a
decisão judicial determinasse que Geddel fosse monitorado por tornozeleira
eletrônica, isso não vinha acontecendo, pois o governo da Bahia não tem o equipamento.
Fortuna em
outro imóvel
Na terça-feira
(5), a PF apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento que seria
utilizado por Geddel em Salvador. O dono do imóvel afirmou à PF que havia
emprestado o imóvel ao ex-ministro para que ele guardasse pertences do pai, que
morreu no ano passado.
Segundo o
jornal "O Globo", a PF reuniu 4 provas que reforçam
a ligação Geddel com o dinheiro. As impressões digitais do ex-ministro foram
encontradas no próprio dinheiro, uma outra testemunha confirmou que o espaço
tinha sido cedido a ele, e uma segunda pessoa é suspeita de ajudar Geddel na
destinação das caixas e das malas de dinheiro. Além disso, a PF identificou
risco de fuga, depois da divulgação da apreensão do dinheiro.
A apreensão do
dinheiro é um desdobramento da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na
liberação de créditos da Caixa Econômica Federal. De acordo com o MPF, entre
2011 e 2013, Geddel agia para beneficiar empresas com liberações de créditos e
fornecia informações privilegiadas para os outros membros da quadrilha que
integrava.
O ex-ministro
virou réu em agosto em uma ação na Justiça Federal em Brasília por obstrução de
justiça. Ele é acusado de tentar atrapalhar as investigações. Em nota divulgada
após a decisão da Justiça, a defesa de Geddel rechaçou as acusações, a aque
chamou de "fruto de verdadeiro devaneio e excesso acusatório".
A defesa do
ex-ministro não se manifestou sobre os R$ 51 milhões.
Ex-ministro
de Lula e Temer
Geddel Vieira
Lima (PMDB-BA) deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo em novembro
de 2016. Ele foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo
pressionado para liberar uma obra na Ladeira da Barra, áre nobre de Salvador.
Geddel era um dos principais responsáveis pela articulação política do governo
Temer com deputados e senadores. Ele ficou no cargo por seis meses.
O peemedebista
também foi ministro da Integração Nacional do governo Lula, entre 2007 e 2010,
depois de ter sido crítico ferrenho do primeiro mandato do petista e defensor
do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No ministério, encampou a
transposição do Rio São Francisco, que prometeu efetivar em seu mandato.
Atuou como
vice-presidente de Pessoa Jurídica na Caixa entre 2011 e 2013, cargo do qual
chegou a pedir exoneração pelo Twitter à então presidente Dilma Rousseff, pela
possibilidade de concorrer nas eleições seguintes. Quem o convidou para o cargo
foi Michel Temer. Foi derrotado por Otto Alencar (PSD) na eleição ao Senado.
Formado em
administração de empresas pela Universidade de Brasília, é natural de Salvador,
onde foi assessor da Casa Civil da Prefeitura entre 1988 e 1989. Em 1990,
filiou-se ao PMDB, partido pelo qual foi eleito cinco vezes deputado federal.
Por Camila Bomfim, TV Globo e G1 BA

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