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© AFP Nicolás
Maduro, durante coletiva de imprensa no
Palácio
Miraflores em Caracas, na Venezuela – 22/08/2017
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A Caracol TV, uma
das principais emissoras privadas da Colômbia, saiu do ar na Venezuela
por ordem do governo de Nicolás Maduro. Para o presidente
colombiano Juan Manuel Santos, a atitude de Caracas “demonstra”
o caráter ditatorial do regime.
A emissora denunciou que seu sinal
foi suspenso na noite de quarta-feira, em meio às tensões políticas pela proteção
dada por Bogotá à ex-procuradora e chavista dissidente Luisa Ortega
Díaz. “Lamentamos profundamente esta decisão do governo da Venezuela de
tirar a Caracol Televisión do ar”, afirmou nesta quinta-feira
o diretor de notícias da Caracol, Juan Roberto Vargas, à emissora BLU
Radio.
Maduro havia denunciado há alguns
dias uma “campanha terrível” da Colômbia contra seu governo e
acusou diretamente meios de comunicação como a Caracol e os jornais El
Tiempo e El Espectador.
A Caracol informou que a ordem de
retirada do ar foi feita pela autoridade de telecomunicações venezuelana, a
Conatel, que em fevereiro também determinou a saída da CNN em
espanhol e dois meses depois a do canal colombiano El Tiempo e
do argentino Todo Noticias. Em 2014, o canal colombiano de
notícias NTN24 também foi tirado do ar pelo organismo.
“Notícias Caracol sempre
desempenhou o seu trabalho de maneira objetiva, verdadeira, seguimos sempre os
princípios que consideramos fundamentais, que é oferecer jornalismo com
contexto e escutar todos os pontos de vista. E isso é o que temos tentado fazer
na Venezuela”, disse Vargas.
“Como uma ditadura”
A ação contra um dos principais
meios de comunicação privados da Colômbia prejudica ainda mais a relação entre
os dois governos, que compartilham uma fronteira de 2.200 quilômetros, e
elevaram o tom de suas acusações em meio à crise política e econômica que
envolve a Venezuela.
O presidente Santos, que acusa
Maduro de levar a Venezuela para uma ditadura, lamentou a decisão. “Tenho que
lamentar muitíssimo o que aconteceu, é uma demonstração a mais de um regime que
não gosta das liberdades, um regime que está restringindo as liberdades de seus
cidadãos”, indicou o presidente a jornalistas.
Santos, que alterna a sua
atividade política com o jornalismo, voltou a descrever o governo de Maduro
como uma ditadura. “Temos dito que é um regime que se afastou do sistema
democrático, e que cada vez mais está atuando como uma ditadura”, sustentou.
Na segunda-feira, o presidente
colombiano tornou ainda mais tensa a relação com Maduro ao oferecer proteção e
asilo à procuradora destituída Ortega, que fugiu da Venezuela denunciando uma perseguição política.
Destituída em 5 de agosto pela Assembleia Constituinte, a ex-funcionária disse
ter evidências que relacionam o presidente venezuelano e seu círculo com a
trama de corrupção da empreiteira Odebrecht.
(Com AFP)

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