Desarmamento? De quem?

A violência não decresceu nesses 14 anos de vigência da Lei,
 ao contrário, a criminalidade está cada vez mais colocando
 em risco a vida dos cidadãos de bem. Foto Divulgação
Em dezembro de 2003, entrou em vigor a Lei 10826, chamada de Estatuto do Desarmamento, discutida votada e aprovada como uma saída para a escalada da violência no Brasil.
Seus defensores, na época, alegavam que a posse e porte de armas pela população civil abastecia os criminosos de armamento, e que isso estaria causando um aumento dos índices de criminalidade no país. Defendiam que, se a população não tivesse armas em seu poder, elas não seriam roubadas e usadas pelos bandidos.
A Lei criou dificuldades para quem quisesse adquirir ou portar uma arma legalmente. Com o passar dos anos, ela foi alterada e afrouxada em algumas situações, permitindo que algumas categorias pudessem possuir armas para a sua defesa pessoal.
Mas, a violência não decresceu nesses 14 anos de vigência da Lei, ao contrário, a criminalidade está cada vez mais colocando em risco a vida dos cidadãos de bem, numa prova de que, como se afirmava na ocasião, as armas nas mãos dos bandidos não provinham de furtos e roubos nas residências dos cidadãos, elas eram obtidas através de contrabando ou desvios das forças armadas e até mesmo das polícias.
Dias atrás, foram apreendidos 60 fuzis, provenientes dos EUA, em um container que passava pelo Aeroporto Internacional do Rio. Segundo a polícia, pelo menos 30 cargas anteriores passaram sem problemas pelo mesmo aeroporto, e essas armas estavam já nas mãos de quadrilhas em diversos lugares do país.
Quem conhece o Paraguai, notadamente na região da fronteira com o Brasil, sabe da possibilidade em se adquirir armamento de vários tipos, até mesmo pesados, que são contrabandeados com relativa facilidade, devido à extensão da fronteira e da fiscalização precária da região.
Agora, recentemente, dois Foruns em cidades do estado de São Paulo foram invadidos durante a noite e cerca de 700 armas que lá se encontravam à disposição da Justiça foram roubadas, com relativa facilidade. Essas armas em poucos dias serão vendidas e estarão nas ruas, nas mãos de assaltantes, homicidas ou na de qualquer pessoa que aceite pagar um valor módico por uma delas.
Recentemente, por iniciativa popular, surgiu a Sugestão Legislativa 4/2017, que previa o fim do Estatuto do Desarmamento, facilitando mais uma vez a posse e porte de armas ao cidadão de bem, porém a proposta foi discutida e acabou por não se transformar em Projeto.
Como cristão, claro que não defendo que qualquer pessoa possa adquirir e usar uma arma , estamos sujeitos a uma série de fatores que poderiam causar morte ou ferimentos até mesmo a inocentes. Mas fico indignado com a facilidade que os marginais tem em obter armamento sofisticado !
Para que tenhamos uma ideia da situação, entre 1980 e 2014 morreram no Brasil 967.851 pessoas vitimadas por disparos de armas de fogo, isso mesmo, quase 1 milhão de vítimas! Só em 2014, foram  44.861 mortes, colocando o nosso país no 10º lugar do mundo nesse ranking trágico (segundo a Revista Época).
Creio que é hora da população cobrar atitudes de nossas autoridades em relação à posse ilegal de armas no país. Que se fiscalize as fronteiras, que se investigue com profundidade como esses armamentos conseguem passar pelos controles alfandegários – tão severos ao cidadão que chega de uma viagem ao exterior.
Necessárias também ações nas áreas sociais, principalmente na educação, para que os jovens tenham acesso à uma formação profissional que assegure seu sustento , afastando-os do risco da vida no crime.
Necessário também que se revisem nossas leis penais, tão brandas em alguns casos que fomentam a vida marginal.
Necessária e importantíssima a ação da igreja, em seu aspecto missionário, acolhendo, ajudando e evangelizando para que cada vez mais pessoas passem a ter uma vida digna e com mais amor no coração.
Vamos à luta?

Por Fernando Marin
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