Marqueteiro João Santana afirma que mentiu para tentar manter Dilma no cargo

Esta foi a primeira vez que o ex-marqueteiro do PT prestou
 depoimento ao juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba
na condição de delator
Brasília - Após reunião com o ministro da casa Civil Eliseu Padilha, o relator da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, Arthur Maia (PPS-BA), fala com a imprensa (Antônio Cruz/ Agência Brasil)Previdência: Relator apresenta proposta final hoje
Em depoimento ao juiz Sergio Moro, na Operação Lava Jato, o publicitário João Santana admitiu nesta terça-feira que mentiu em seu primeiro interrogatório, em fevereiro de 2016, porque estava “atordoado” com a sua prisão e porque tentava manter a então presidente Dilma Rousseff (PT) no cargo – ela foi afastada do cargo dois meses depois.
Na ocasião, ele disse que os recursos que recebera no exterior se referiam, “exclusivamente”, a pagamentos de campanhas feitas em outros países. Nesta terça-feira, ele mudou a versão: “Na época, [estava] ainda atordoado, um dia depois da prisão, e também preocupado com a própria estabilidade política e manutenção do cargo da presidente Dilma. Eu cometi o equívoco, eu menti para a Justiça sobre isso. Por isso, a primeira versão minha, que esses recursos eram todos de campanhas no exterior. Não estava mentindo de todo, porque boa parte dos recursos provinha disso”, disse Santana, que atuou em campanhas eleitorais em países da África e da America Latina.
O marqueteiro também confirmou que recebeu pagamentos não declarados (caixa dois) em contas no exterior pela dívida da campanha presidencial de Dilma, em 2010. Ele também relatou que foi renumerado por fora nas campanhas municipais dos também petistas Fernando Haddad, Patrus Ananias, Marta Suplicy (hoje no PMDB) e Gleisi Hoffmann, em 2008. Os repasses teriam sido feitos pela empreiteira Odebrecht.
Esta foi a primeira vez que o ex-marqueteiro do PT prestou depoimento ao juiz titular da 13ª Vara Federal de Curitiba na condição de delator —  ele fechou acordo de colaboração premiada com Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 4.

VEJA.com
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