Inundações no Peru deixaram mais de 70 mortos desde dezembro

Inundação na cidade de Trujillo, no Peru, é vista de helicóptero
 em que o presidente Pedro Pablo Kuczynski sobrevoou a região
(Foto: Luis Guillen Presidential Palace/Handout via REUTERS)
Mais de 140 mil casas ficaram destruídas, segundo Centro de Operações de Emergências.
As inundações que ocorrem desde dezembro no Peru já deixaram 78 mortos, segundo o último relatório oficial divulgado nesta terça-feira (21) pelo Centro de Operações de Emergências Nacional (COEN).
O documento, que compila os danos registrados desde o início da temporada de chuvas, também afirma que 141.149 casas ficaram destruídas. Além disso, 643.216 pessoas foram parcialmente prejudicadas e 101.104 perderam tudo o que tinham.
A maior parte das vítimas se concentra nas regiões nortistas de Piura, Lambayeque, La Libertad e Áncash, enquanto em Lima foram reportados seis mortos, 4.972 afetados, 17.570 desabrigados e 7.153 casas destruídas.
O relatório afirma que o estado de alerta continua perante o possível transbordamento de rios em várias regiões e que foram fechados 23 portos pela maré instável que se apresenta no litoral peruano.
O COEN confirmou que o Ministério da Educação decidiu ampliar até a próxima segunda-feira a suspensão das aulas nas escolas e instituições de ensino superior de Lima Metropolitana.
O Ministério da Saúde descartou a presença de casos de antraz na região Piura, uma das mais impactadas pelas inundações, enquanto representantes do Ministério da Cultura entregaram mantimentos a afetados em Lima e em Chincha, na região de Ica.
#UnaSolaFuerza
O ministro da Produção, Bruno Giuffra, também se reuniu com mais de 50 empresários peruanos para pedir que continuem a ajudar a campanha de ajuda humanitária #UnaSolaFuerza ("uma só força").
Giuffra disse que já foram entregues mais de 227 toneladas de ajuda aos afetados e acrescentou que as empresas, em conjunto, recolheram mais de 500 toneladas de mantimentos, água e roupa, que foram enviadas às regiões mais afetadas por via marítima, devido aos danos nas estradas.
O Ministério das Relações Exteriores lembrou que as embaixadas e os consulados do Peru no mundo abriram contas bancárias para receber doações.
Trabalho coordenado
O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, viajou nesta terça ao norte do país para supervisionar as zonas afetadas e participar de reuniões com os representantes do Centro de Operações de Emergência Regional (COER) de Trujillo e Piura.
Em Trujillo, garantiu que a prioridade para o governo é reabrir o trânsito pela estrada Pan-Americana Norte, assim como restabelecer a distribuição de água mediante a reabilitação do canal de Chavimochic, que foi bastante danificado.
O presidente enfatizou que atender à emergência "não é questão de dinheiro, mas de organização", e insistiu na necessidade de se fazer um trabalho coordenado entre o governo central, as regiões, os municípios e todas as autoridades locais.
Ajuda da Venezuela
Kuczynski declarou que a ajuda da Venezuela para os afetados será "obviamente bem-vinda", apesar de atravessar um conflito diplomático por uma troca de declarações com o colega venezuelano, Nicolás Maduro.
Esta ajuda ocorre uma semana depois que o governo peruano chamou o embaixador em Caracas para conversas devido a recentes declarações de Maduro e de sua chanceler, Delcy Rodríguez, nas quais chamaram Kuczynski de "covarde" e "cachorrinho simpático do império".
A ajuda da Venezuela se somará à já prestada por Colômbia, Equador, Chile e Paraguai, enquanto nas próximas horas também chegarão ao Peru envios de Brasil, Argentina e Uruguai.

Por Agencia EFE
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