Grupo brasileiro admitiu aos
EUA que pagou centenas de milhões de dólares em subornos em vários países
Vários países latino-americanos
anunciaram nesta quinta-feira (22) investigações judiciais ligadas ao caso da
Odebrecht, após o grupo brasileiro admitir
à Justiça dos Estados Unidos que pagou centenas de milhões de dólares em
subornos em vários países da região.
Veja as reações dos países.
Peru
O presidente peruano, Pedro Pablo
Kuczynski, negou ter recebido dinheiro quando era presidente do Conselho de
Ministros no governo de Alejandro Toledo (2001-2006) e disse ser favorável a
uma investigação à denúncia de subornos da Odebrecht no Peru entre 2005 e 2014.
"Eu posso garantir que não
recebi nada, nem sei de nada. Obviamente deve-se investigar tudo isso e sou a
favor de uma profunda investigação", disse Kuczynski à imprensa.
Ele explicou que as investigações
sobre sua gestão quando era primeiro-ministro de Toledo foi arquivada.
Odebrecht e Brasken assinam acordo
bilionário com o governo americano
"Se deram conta de que eu só
havia assinado uma lei do congresso, isso não é crime", ressaltou.
No dia 14 de dezembro, o
procurador Martín Salas decidiu reabrir a investigação na qual incluiu
Kuczynski por supostamente favorecer a Odebrecht a ganhar uma concessão. O caso
havia sido encerrado em setembro.
O presidente disse que a
Procuradoria terá que investigar exaustivamente após a divulgação de documentos
em que a Odebrecht admite ter realizado subornos no Peru (2005-2014) por
aproximadamente 29 milhões de dólares.
"Os ex-presidentes Alejandro
Toledo, Alan García e Ollanta Humala que governaram nesses anos (2005-2014)
deverão dar explicações. Também tem que ver a quem se pagou".
Equador
O governo do Equador, que em 2008
expulsou a Odebrecht, pediu que o Ministério Público investigue supostos
subornos da empresa brasileira no país, onde mantém contratos milionários, como
a construção do metrô de Quito.
"Neste momento estou enviando
ao Ministério Público uma solicitação para que investigue tudo o que tem a ver
com os supostos atos de corrupção da Odebrecht no país", disse o
secretário jurídico da Presidência do Equador, Alexis Mera, em coletiva de
imprensa.
O procurador-geral Galo Chiriboga
disse à imprensa que a embaixada equatoriana em Washington solicitará
informação do caso ao Departamento de Justiça.
"Essa informação eu desejo
tê-la oficialmente hoje, através de nossa embaixada, e isso implica que o Ministério
Público já tenha iniciado uma indagação sobre isso", acrescentou.
"Não vamos proteger ninguém,
não vamos encobrir ninguém; estamos absolutamente tranquilos do que fizemos.
Atuamos com essa companhia de maneira muito rigorosa", garantiu Mera.
O presidente Rafael Correa, no
poder desde 2007, expulsou a firma brasileira em 2008 por irregularidades na
construção da hidroelétrica San Francisco. A medida gerou a reação de Brasília,
que chamou seu embaixador para consultas entre novembro de 2008 e janeiro de
2009.
Após um acordo, a Odebrecht
retornou em 2010 ao Equador, onde está encarregada de obras milionárias, como
uma fase do metrô de Quito por 1,5 bilhão de dólares.
Colômbia
A Colômbia anunciou que cancelará
os contratos em que forem comprovados atos de corrupção da Odebrecht.
"No momento em que for
demonstrado de maneira clara que houve pagamentos de subornos (...), o Estado
colombiano não duvidará de nenhuma maneira em tomar as decisões necessárias
para terminar de maneira unilateral seus contratos e para evitar que a
Odebrecht continue tendo negócios no país", disse o secretário de
Transparência da Presidência, Camilo Enciso.
O funcionário pediu "ação
contundente, rápida e eficaz da justiça colombiana" para esclarecer os
subornos por mais de 11 milhões de dólares que a construtora pagou para
realizar as obras públicas no país, com as quais teve lucros superiores a 50
milhões de dólares, segundo as autoridades americanas.
"Não podemos permitir que uma
empresa criminosa como tem sido a Odebrecht continue agindo", afirmou.
Argentina
O Escritório Anticorrupção da
Argentina informou ter entrado em contato com procuradores e investigadores do
Brasil para obter mais informações sobre 35 milhões de dólares em subornos
pagos a funcionários argentinos entre 2007 e 2015.
A deputada opositora Margarita
Stolbizer pediu ao ministério Público uma investigação preliminar sobre os
casos, que teriam ocorrido durante o governo da presidente Cristina Kirchner.
"Se em algum lugar ocorreu
corrupção em grande medida nos últimos anos foi justamente no ministério do
Planejamento do (ex-ministro) Julio De Vido", disse a deputada sobre o
antigo funcionário investigado por irregularidades em contratos de obras
públicas.
Venezuela
A Comissão de Controladoria do
Parlamento venezuelano - dominado pela oposição - disse que investigará os
supostos subornos a funcionários do governo e intermediários para a obtenção de
obras públicas entre 2006 e 2015, durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás
Maduro.
A Venezuela foi o segundo país
(depois do Brasil) em valor de subornos pago pela Odebrecht, totalizando 98
milhões de dólares.
Panamá
O governo do Panamá prometeu
processar e punir os funcionários que receberam mais de 59 milhões de dólares
em subornos da Odebrecht, informou uma fonte oficial.
O Ministério Público declarou que
pedirá informações aos Estados Unidos sobre o caso.
De acordo com o departamento
americano de Justiça, a Odebrecht recebeu mais de 175 milhões de dólares com os
contratos obtidos no Panamá por meio de subornos.
Por France Presse

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