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Foto de 28
de novembro de 2006 mostra Saddam Hussein durante
seu
julgamento em Bagdá (Foto: Chris Hondros/Pool/AFP)
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Ditador iraquiano foi enforcado
em 30 de dezembro de 2006. País ainda sofre com violência e 5 mil soldados
americanos continuam apoiando exército iraquiano.
Dez anos depois da execução de
Saddam Hussein, o fantasma do ditador iraquiano continua atormentando os
Estados Unidos, um símbolo de sua frustrada ambição de levar estabilidade e
democracia ao Oriente Médio.
Enquanto o ditador iraquiano era
enforcado em Bagdá, em 30 de dezembro de 2006, o presidente americano George W.
Bush e a opinião pública de seu país já sabiam que a invasão no Iraque, que
nesse momento já havia provocado a morte de cerca de 3 mil soldados americanos,
não traria os frutos esperados.
A execução "não colocaria fim
à violência no Iraque", reconheceu o presidente americano, que previa
"decisões difíceis de tomar e sacrifícios por fazer" para reforçar a
"jovem democracia iraquiana".
Dez anos mais tarde, os Estados
Unidos ainda não fecharam as suas contas.
A "jovem democracia iraquiana",
sonhada pela administração americana, não conseguiu dar fim à violência.
A oposição da minoria sunita
frente ao governo de maioria xiita favoreceu a emergência do grupo ultra
radical Estado Islâmico (EI), que tem entre seus dirigentes ex-militares de
Saddam Hussein.
Mais de 5 mil soldados americanos
continuam no terreno, apoio indispensável para um exército iraquiano ainda
incapaz de assumir sozinho a guerra contra os extremistas.
Na sociedade americana, que apoiou
maciçamente a intervenção, as feridas continuam abertas.
A lembrança do caos iraquiano
pesou muito na decisão do presidente Barack Obama de não intervir militarmente
contra o presidente sírio Bashar al-Assad.
Em sua campanha eleitoral
triunfante, o presidente eleito Donald Trump prometeu não comprometer nunca
mais os Estados Unidos nas "mudanças de regime" ou na
"construção da nação".
"Totalmente
ultrapassado"
Trump não se cansa de repetir
agora, que, diferentemente de sua rival Hillary Clinton, que não apoiou a
guerra em 2003, apesar de uma declaração da época em que dizia o contrário.
Nas elites americanas, continua a
introspecção para tentar entender as razões do fracasso.
John Nixon, o primeiro analista da
CIA que interrogou Saddam Hussein depois da sua captura em dezembro de 2003,
publica nesta quinta-feira um livro-testemunho, "O interrogatório de
Saddam Hussein", onde afirma que a CIA e a administração americana se
fecharam em uma falsa visão do ditador iraquiano.
Longe de ser um chefe todo
poderoso, Hussein foi, durante seus últimos anos no poder, "totalmente
superado" pelo o que acontecia em seu país, estima Nixon.
"Não prestava atenção no que
seu governo fazia, não tinha um plano real para a defesa do Iraque e não tinha
consciência da importância do furacão que estava por passar,
derrubando-o", afirma hoje o analista.
"Saddam Hussein estava
ocupado escrevendo livros em 2003. Não se ocupava mais em fazer o governo
funcionar", afirma o analista.
A unidade da nação
No entanto, a administração
americana e a CIA acreditavam, sem qualquer dúvida, que "decapitar o
regime baasista faria do Iraque um país pacífico", ressalta.
George W. Bush, entretanto, jamais
voltará atrás na sua análise, diz Nixon, que relata um confronto esclarecedor
com ele em 2007 no Salão Oval.
John Nixon tentou explicar a
George W. Bush que interrogou um Saddam Husein mais desarmado e que brinca com
a autoironia, mas o presidente deu sinais de impaciência e só se acalmou quando
o analista evocou uma personalidade "arrogante" e "sádica".
O presidente "só ouvia o que
queria", avalia Nixon.
Ao contrário do que se pensava,
segundo ele não convinha aos Estados Unidos eliminar o ditador iraquiano.
"Apesar de ter constatado que
Saddam Hussein era um ser extremamente desagradável, concluí os interrogatórios
tendo um respeito involuntário pela maneira como conseguiu manter tanto tempo a
unidade da nação iraquiana", confessa Nixon.
"É improvável que um grupo
como o EI pudesse ter êxito sob seu regime tão repressivo", comparou.
Por France Presse

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