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Major Melo
foi enterrado no Jardim da Saudade de Sulacap.
Uma das filhas do militar recebeu bandeira da
comandante
Clarice
Antunes (Marcio Mercante / AG. ODIA)
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Perícia já descartou que aeronave
fora abatida. Emoção marcou a despedida dos quatro policiais mortos na queda do
Esquilo da PM na Cidade de Deus
O ar deslocado por um helicóptero
levantou do chão centenas de pétalas de rosas que caíram nos caixões de três
dos quatro policiais militares mortos na queda da Fênix 4, sábado. Essa foi uma
das últimas homenagens, ocorrida ontem no pátio do Batalhão de Choque, àqueles
que voavam para salvar vidas.
A perícia nos corpos e na aeronave
já descartou que a causa da queda tenha sido provocada por tiros. “Não há
perfuração por arma de fogo nos corpos. Na aeronave, até o momento, não se
encontrou nenhum tipo de perfuração”, afirmou o secretário estadual de
Segurança Pública, Roberto Sá.
Sá, ainda durante a última
madrugada, montou gabinete de crise para avaliar a situação na Cidade de Deus,
com representantes das polícias militar e civil, além dos seus subsecretários.
O gabinete entendeu que a operação na Cidade de Deus deveria continuar e, até o
início da noite de ontem, sete pessoas haviam sido encontradas mortas, e outras
12, feridas. Moradores relataram supostos abusos policiais.
Com a conclusão do laudo de que
não houve perfurações, a atenção do Centro de Investigação e Prevenção de
Acidentes Aeronáuticos busca possíveis panes mecânicas ou falhas humanas para o
acidente. Integrantes do GAM (Grupamento Aeromóvel), unidade à qual os
militares mortos pertenciam, afirmaram ao DIA que a aeronave já apresentou
problemas técnicos no ar. Um deles teria ocorrido terça-feira passada, quatro
dias antes da queda. “A luz vermelha do painel começou a piscar, mostrando uma
pane hidráulica em pleno voo. Mas a manutenção da unidade liberou a aeronave”,
afirmou um militar. “Já escutei estouros no motor da Fênix 4. Achei estranho,
mas a manutenção nunca apontou nada”, disse outro.
Uma mensagem de WhatsApp do grupo
que estava de serviço no dia 15, obtida pela reportagem, contém a descrição de
um operador relatando falha na comunicação. “Urgência. Não tem como manter
contato rádio aeronáutico com a Fênix 4, gerando transtorno para o serviço e
comprometendo a segurança de voo. Diante desse fato pede providência.”
PM NEGA PANE
Procurada, a Polícia Militar
respondeu, através da assessoria de imprensa, “que não houve problemas técnicos
no dia 15 com a Fênix 4. Já no mesmo dia, a Fênix 7 apresentou um problema no
velocímetro, que foi consertado”.
A empresa responsável pela
manutenção e troca de peças periódicas das aeronaves é a paulista Helibras.
Devido à crise financeira, o pagamento da manutenção está atrasado, mas os
serviços não deixaram de ser feitos. O governo deve à empresa R$ 3, 5 milhões
em manutenção preventiva e corretiva. Apesar disso, todos os serviços estão
sendo prestados, segundo a Polícia Militar. “Os laudos da manutenção estão em
dia e disponíveis para quem quiser ver”, afirmou o major Ivan Blaz, porta-voz
da corporação.
Após o velório, os corpos dos
militares seguiram para cemitérios diferentes e foram enterrados com mais
homenagens.
O piloto principal da Fênix 4,
Willian Schorcht, fazia o terceiro dia de plantão consecutivo. Além disso, ele
foi escalado de última hora para voar na aeronave, já que quem estava escalado
era o subcomandante do GAM, major Rodrigo Lima.
As informações estão na escala de
pilotos da unidade. Em forma de trigrama (três primeiras letras), as iniciais
SCH, de Schorcht, aparecem em plantões de 12 horas nos dias 17 e 18. E, no dia
da queda, ele trocou de lugar com o subcomandante.
“Ele morava em Resende; então,
fazia horas de plantão seguidas para ter mais folgas e ficar mais tempo com a
família”, disse um amigo. O seu corpo foi velado e enterrado em Resende.
Já os sepultamentos do major
Rogério Melo e do sargento Félix ocorreu no Jardim da Saudade. E, o do
subtenente Barbosa, no Cemitério Memorial Parque Nicteroy, em São Gonçalo.
No enterro do major, uma cena
comoveu os presentes. A comandante Clarice Antunes entregou a bandeira que
estava em cima do caixão a uma das filhas de Melo. Ele deixou dois filhos, um
com menos de 1 ano de idade. Os familiares não quiseram falar com a imprensa.

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