![]() |
Policiais
chegam à sede da Polícia Federal, em São Paulo,
com material
apreendido durante a Operação Greenfield
– 05/09/2016
(N.M/FuturaPress/Folhapress)
|
Investigadores da Operação
Greenfield suspeitam que autoridades políticas tinham “clara ascendência” sobre
fundações que sofreram um prejuízo bilionário
A organização criminosa que gerou
um rombo de mais de 8 bilhões de reais nos maiores fundos de pensão do Brasil
contou com a participação de um núcleo político, segundo suspeitam os
investigadores da Operação
Greenfield. Em seu pedido de busca e apreensão, realizada nesta
segunda-feira, o Ministério Público Federal relata que em oito dos dez casos de
investimentos fraudulentos o “modus operandi encontrado é praticamente
idêntico”. No esquema delineado por procuradores e policiais federais, o apoio
de “autoridades políticas” era crucial, já que tinham “clara ascendência sobre
os diretores dos fundos de pensão que são indicados pelas entidades
patrocinadoras (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Petrobras e Correios)”.
Segundo o MPF e a PF, a sangria
dos fundos de pensão Funcef (dos funcionários da Caixa Econômica Federal),
Petros (Petrobras), Postalis (Correios) e Previ (Banco do Brasil) ocorreu por
meio dos fundos de investimento em participações (FIP), que injetaram recursos
em negócios de alto risco. A engrenagem da fraude entrava em operação quando o
“núcleo empresarial” buscava dinheiro no mercado para tirar os seus projetos do
papel. Esse grupo do setor privado se reunia com o núcleo “dirigente de fundos
de pensão”, formado por diretores das entidades, e também com o “núcleo
político”, que tinham ingerência nas indicações dos cargos das estatais. Após
esses encontros, o dinheiro era liberado por um valor superior ao do custo real
do projeto. O suposto envolvimento de parlamentares nesse esquema não foi
aprofundado nesta primeira fase da Operação Greenfield, que tem como foco
investigados sem foro privilegiado.
Alguns suspeitos, que foram
conduzidos pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos aos
investigadores, têm ligações com o PMDB e PT. Nos últimos anos, os dois
partidos lotearam as diretorias dos fundos de pensão com apaniguados políticos.
Entre eles, está Humberto Pires Grault Vianna de Lima, “um dos principais
personagens do esquema criminoso” que atuava na Petros e na Funcef, segundo o
MPF. Até a deflagração da operação nesta manhã, Grault exercia a função de
gerente de Participações da Funcef, sendo responsável pelo acompanhamento de
todos os investimentos estruturados da fundação. A investigação revelou que
Grault, indicado pelo PT, detinha o monopólio do processo decisório interno da
Funcef, ignorando completamente quaisquer pareceres contrários das demais
áreas do fundo. “Tal conduta contou com a conivência clara especialmente dos
então diretores Carlos Caser e Carlos Augusto Borges”, diz a representação do
MPF.
Outro investigado na Operação
Greenfield é Alexej Predtechensky, ex-diretor-presidente do Postalis e membro
do Comitê de investimentos do fundo. Conhecido como “Russo”, Alexej é apontado
pela Polícia Federal como “um dos principais responsáveis pelos crimes
cometidos contra o Postalis”. As operações fraudulentas que esvaziaram o
fundo dos Correios causaram um rombo superior a 5 bilhões de reais, um prejuízo
que pesou no bolso dos carteiros. Alexej, que mantinha uma boa relação com
peemedebistas, teria sido indicado para comandar o Postalis pelo senador Edison
Lobão (PMDB-MA).

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!