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Cinegrafista
da Band Santiago Andrade morreu após ser atingido
na cabeça por rojão durante protesto no Centro
do Rio
em fevereiro
de 2014 (Foto: Agência O Globo)
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'São mais de dois anos vivendo
esse sofrimento', diz filha de Santiago. Superior Tribunal de Justiça analisa
recurso desde abril do ano passado.
Dois anos e sete meses depois, o
caso do cinegrafista Santiago Andrade ainda aguarda julgamento. Ele morreu
depois de ser atingido na cabeça por um rojão enquanto cobria uma manifestação
no Centro do Rio em 2013. O processo contra os dois acusados de lançar o
artefato está parado no Superior Tribunal de Justiça.
Vanessa Andrade, filha de
Santiago, diz contar os dias à espera de uma decisão da Justiça.
“Já são mais de dois anos que a gente está
vivendo esse sofrimento, como tantas outras famílias passam por isso também. É
importante que a gente consiga ter uma luz no fim do túnel para esse caso,
consiga ter um desfecho. A gente está há tantos anos sofrendo com a perda de um
profissional, de um pai, um marido tão querido”, comentou Vanessa.
Ela ainda acrescentou que cada vez mais encontra dificuldades no processo: “É mais um esforço que a gente tem que fazer para acreditar que as coisas vão se resolver, que esse crime não vai ficar impune e que esses rapazes vão cumprir o restante da pena que eles já vêm cumprindo desde então, né?”
Santiago foi atingido na cabeça por um rojão durante uma manifestação no dia 6 de fevereiro de 2014. Ele teve morte cerebral quatro dias depois, aos 49 anos. A explosão foi registrada por fotógrafos, cinegrafistas e câmeras de vigilância perto da Central do Brasil.
Ela ainda acrescentou que cada vez mais encontra dificuldades no processo: “É mais um esforço que a gente tem que fazer para acreditar que as coisas vão se resolver, que esse crime não vai ficar impune e que esses rapazes vão cumprir o restante da pena que eles já vêm cumprindo desde então, né?”
Santiago foi atingido na cabeça por um rojão durante uma manifestação no dia 6 de fevereiro de 2014. Ele teve morte cerebral quatro dias depois, aos 49 anos. A explosão foi registrada por fotógrafos, cinegrafistas e câmeras de vigilância perto da Central do Brasil.
Depois da divulgação das imagens,
Fábio Raposo, um dos acusados, se apresentou à polícia. Na época, ele confirmou
que passou o rojão ao rapaz que acendeu o artefato que atingiu o cinegrafista.
O segundo acusado, Caio Silva de
Souza, foi preso em Feira de Santana, na Bahia, dois dias depois da morte de
Santiago Andrade.
Fábio Cardoso e Caio Silva ficaram
presos preventivamente por 13 meses. Para o Ministério Público, eles cometeram
homicídio doloso triplamente qualificado, por motivo torpe, sem possibilidade
de defesa e com explosivos. Neste caso, a pena é de até 30 anos de prisão.
Os dois foram soltos em março do ano passado quando desembargadores do Tribunal de Justiça aceitaram o recurso da defesa e entenderam que Fábio e Caio deveriam responder por homicídio culposo, sem intenção de matar, ou por explosão seguida de morte, com pena máxima de oito anos de reclusão.
Os dois foram soltos em março do ano passado quando desembargadores do Tribunal de Justiça aceitaram o recurso da defesa e entenderam que Fábio e Caio deveriam responder por homicídio culposo, sem intenção de matar, ou por explosão seguida de morte, com pena máxima de oito anos de reclusão.
O Ministério Público recorreu
dessa decisão ao Superior Tribunal de Justiça, para manter a acusação de
homicídio doloso triplamente qualificado. O processo está no STJ desde abril do
ano passado, mas ainda não há uma data prevista para a decisão.
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Caio Silva de Souza, suspeito de lançar o rojão que
matou o cinegrafista Santiago Andrade (Foto: Divulgação / Polícia Civil) |
“O MP, desde o início, desde a denúncia,
entende que há elementos que demonstram que os acusados, ao acenderam o rojão,
sabiam pelas circunstâncias que ali estavam, por ser um local com muita gente,
por ser uma manifestação, que aquele rojão poderia ferir ou matar, o que acabou
acontecendo no fim das contas, alguém faleceu, ainda que não quisessem esse
resultado. O dolo eventual é isso: você assume um risco”, destacou o
promotor de Justiça Eduardo Morais Martins.
A defesa argumenta que eles não
tiveram a intenção de matar o cinegrafista. “Não houve o dolo eventual que
sustenta a acusação. Eles agiram com imprudência e negligência, isso sim,
porque não poderiam ter soltado um rojão. Mas eles não foram dolosos, eles não
foram intencionais”, declarou o advogado de defesa Wallace Martins.
Depois de perder o pai no exercício da profissão, Vanessa não quer conviver com outra dor: a da impunidade.
Depois de perder o pai no exercício da profissão, Vanessa não quer conviver com outra dor: a da impunidade.
"Duas pessoas que estão com
uma bomba, porque aquilo é uma arma, duas pessoas que atiram aquilo no meio da
multidão, será que elas não assumiram realmente o risco de machucar uma pessoa,
de machucar um inocente? Será que realmente eles não merecem ter uma punição
maior do que somente uma explosão seguida de morte? Será que não é importante
que se reflita aí o crime do homicídio? Porque para mim é o importante. Pra
mim, ainda que eles não tivessem a intenção de ferir o meu pai especificamente,
eles devem cumprir pelo crime de homicídio, porque, pra mim, são assassinos. Eu
os considero assassinos, porque eu não tenho mais o meu pai aqui pra se
defender", argumentou Vanessa.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo lamentou a demora e disse que a incapacidade do Judiciário de responsabilizar culpados é um convite a que ameaças e agressões contra a imprensa persistam.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo lamentou a demora e disse que a incapacidade do Judiciário de responsabilizar culpados é um convite a que ameaças e agressões contra a imprensa persistam.
Do G1 Rio


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