'Às vezes, dizemos coisas
equivocadas', reconheceu. Ele parece querer assumir postura
de candidato mais aberto ao consenso.
Candidato republicano, Donald
Trump, fez pronunciamento em Charlotte, na Carolina do Norte, na quinta-feira
(18), em que se declarou arrependido por declarações ofensivas (Foto: Carlo
Allegri/ Reuters)
O candidato republicano à
presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, fez na quinta-feira (18) uma
confissão surpreendente e se declarou arrependido das palavras ofensivas que
pronunciou durante a campanha eleitoral.
Ele parece, assim, querer assumir
a postura de um candidato mais propenso à busca de consensos, marcando uma
inflexão em seu estilo de campanha.
"Às vezes, no calor do debate
e falando sobre uma grande variedade de temas, não escolhemos as palavras
corretas e dizemos coisas equivocadas", afirmou Trump durante um ato em
Charlotte, na Carolina do Norte.
"Isso aconteceu comigo e,
acreditando ou não, eu lamento", disse, provocando aplausos entre a
multidão. "Realmente lamento, e em especial quando causou dor às
pessoas", acrescentou, garantindo aos seus seguidores que "sempre
direi a verdade a vocês".
Nos últimos dias e em meio a sua
queda nas pesquisas, Trump havia expressado seu desejo de retomar os discursos
explosivos que fizeram sucesso durante as primárias republicanas.
Nesta semana, a menos de três
meses da eleição, a sua equipe sofreu uma nova reformulação. Trump nomeou para
o cargo de executivo-chefe da campanha Steve Bannon, ex-banqueiro de
investimento e presidente-executivo do site de notícias Breitbart News, de
linha conservadora e que exalta a figura do republicano.
Mas suas polêmicas mais recentes -
especialmente seus confrontos com os pais de um capitão muçulmano que morreu no
Iraque - o afetaram duramente.
Seus críticos também o acusaram de
incitar a violência contra sua rival democrata Hillary Clinton, mediante
declarações ambíguas sobre o direito ao porte de armas.
Sem alterar as linhas gerais de
seu discurso - muro na fronteira com o México, protecionismo comercial -, Trump
se apresentou na quinta-feira como um agente da mudança, em contraposição a
Hillary que, segundo ele, representa o establishment e favorece os ricos e
poderosos.
Ao chamar novamente Hillary de
"mentirosa", propôs reforçar as normas éticas do governo e combater o
tráfico de influência.
Além de integrar Bannon em seu
comando, Trump nomeou como diretora de sua campanha a pesquisadora republicana
Kellyanne Conway, especialista em comunicação com as mulheres.
Apelo aos eleitores negros
Para demonstrar seu espírito
aberto, o republicano detalhou seus projetos em educação para a comunidade
negra, que se inclina em 90% pelos democratas, mas que sofre desproporcionalmente
com a pobreza e a precariedade.
"Não descansarei até que as
crianças deste país, não importa qual seja sua cor, formem totalmente parte do
sonho americano", disse.
"Se os eleitores
afro-americanos derem seu voto a Donald Trump, obterão um resultado
incrível", acrescentou.
No campo democrata, esta postura
mais tolerante de Trump era ironizada. "As desculpas desta noite são
simplesmente uma frase bem escrita até que nos diga qual de seus muitos
comentários ofensivos lamenta e até que mude o tom de suas palavras",
disse Christina Reynolds, vice-diretora de comunicações da campanha de Hillary.
Mas Hans Peter Plotseneder, um
austríaco naturalizado americano de 71 anos, opinou que perdeu "um pouco
deste toque pessoal". "Espero que não se torne muito politicamente
correto", disse.
Da France Presse

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